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Atualizado às: 05 de novembro, 2007 - 11h43 GMT (09h43 Brasília)
 
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Estatal chinesa se torna maior empresa aberta
 

 
 
Plataforma de petróleo na China
O valor das ações da petroleira chinesa PetroChina fechou com valorização de mais de 163% nesta segunda-feira, no seu primeiro dia de negociações na Bolsa de Xangai. A alta no preço unitário da ação inflou o valor de mercado da empresa, transformando-a na maior companhia do mundo em termos de valor de mercado.

Com base na cotação das ações da PetroChina, a companhia chegou a ser avaliada por volta de US$ 1 trilhão durante o pregão - mais que o dobro da segunda maior empresa de capital aberto do mundo, a Exxon Mobil, que tem valor estimado em US$ 450 bilhões.

O preço da ação da PetroChina na oferta pública inicial era de 16,7 yuan (R$ 3,90). Na abertura do pregão ela já estava cotada a 48,6 yuan (R$ 11,40) e fechou o dia em 43,96 (R$ 10,30). Ao longo do dia, a ação chegou a registrar uma valorização de mais de 191% em relação ao valor de oferta inicial.

Vários analistas, entretanto, dizem que as ações foram sobrevalorizadas. E lembram que existem empresas - como a estatal Saudi Aramco - que seriam maiores do que a PetroChina mas que não têm suas ações negociadas nas bolsas internacionais.

Fartura

A PetroChina já negocia seus papéis na Bolsa de Valores de Nova York e de Hong Kong. A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em Xangai colocou à disposição dos investidores 4 bilhões de ações, correspondendo a 2,18% do capital público da empresa.

Com a IPO, a PetroChina levantou 66,8 bilhões de yuans (R$ 15,7 bilhões). O capital será utilizado para financiar cinco projetos domésticos para a exploração de petróleo e para aumentar a produção de etileno.

Apesar de ser uma empresa de capital aberto, a PetroChina ainda é uma estatal, pois o governo detém aproximadamente 86% de suas ações.

A valorização da PetroChina ocorre em meio a uma alta generalizada nas bolsas da chamada China continental. Desde o começo do ano, a Bolsa de Xangai viu seu valor mais que duplicar.

O excesso de liquidez mundial e a falta de opções aos pequenos investidores chineses, que são proibidos de colocar seu dinheiro no exterior, causou uma bolha especulativa no mercado financeiro do país.

A própria negociação das ações da PetroChina seria um indício dessa situação artificial. Os lucros da Petrochina não a colocam entre as dez empresas mais rentáveis do mundo. A Exxon Mobil, por exemplo, teve lucro de US$ 19,5 bilhões na primeira metade de 2007, enquanto a Petrochina, por sua vez, só lucrou metade disso: US$ 10,9 bilhões.

Num pronunciamento neste fim de semana, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao reconheceu a situação e disse que vai intervir para resfriar o escaldante mercado financeiro chinês. “O governo vai tomar medidas para prevenir bolhas e evitar grandes flutuações no mercado de ações”, prometeu.

Após os comentários de Wen Jiabao - e apesar do estrondoso sucesso da PetroChina -, a Bolsa de Xangai fechou no negativo nesta segunda-feira. O índice Shanghai Composite Index teve queda de 2,48% e encerrou o dia em 5.634,45 pontos.

Crise no abastecimento

Observadores ainda se perguntam como as ações da PetroChina valorizaram tanto, tendo em vista que o preço do petróleo é tabelado na China e a alta internacional da commodity se traduz em perdas para as refinarias do país.

Na semana passada, a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento concordou em aumentar em 8% o preço de gasolina, óleo diesel e querosene de aviação depois que refinarias pequenas suspenderam a produção por estarem operando no prejuízo. Houve filas nos postos e disputa por combustível.

No mercado internacional, o preço do petróleo já passou dos US$ 95 o barril e caminha em direção à marca dos US$ 100.

Ainda assim, a política de preços do governo chinês não permite que essa valorização seja integralmente repassada para os consumidores, pois teme-se que o aumento nos preços venha a gerar inflação e mais inquietação social.

 
 
Refinaria de petróleoQuase US$ 100
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