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Atualizado às: 29 de novembro, 2007 - 00h37 GMT (22h37 Brasília)
 
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Greve e nova medida de Morales acirram divisão na Bolívia
 

 
 
O presidente da Bolívia, Evo Morales
Governo de Morales aprovou nova medida sem presença da oposição
Num dia de greve geral em seis dos nove Estados da Bolívia, o governo do presidente Evo Morales anunciou a aprovação, no Congresso Nacional, de mais uma medida sem a presença da oposição.

A medida aprovada nesta quarta-feira, que destina benefício de cerca de R$ 40 para pessoas com mais de 60 anos, pago com recursos dos Estados mais ricos, acirrou a divisão política no país.

"Esta lei é promulgada graças à força do povo, à força social que defende igualdade e justiça”, disse Morales ao sancionar a lei, diante de uma multidão em frente ao Palácio Presidencial Quemado, em La Paz.

Segundo o jornal on line El Deber, de Santa Cruz de la Sierra, setores da oposição argumentaram que não puderam entrar no Congresso para participar da votação porque a casa estava “cercada” por grupos indígenas, simpatizantes de Morales.

Constituinte

A decisão ocorreu em meio à paralisação desta quarta-feira, realizada nos seis Estados mais ricos da Bolívia, contra a aprovação do texto geral da Constituição, que ocorreu no sábado, com a ausência da oposição.

O fato provocou confrontos no fim de semana entre seguidores e opositores de Morales nas ruas de Sucre, capital de Chuquisaca, deixando quatro mortos e centenas de feridos.

Os distúrbios levaram à nova suspensão dos debates sobre a Carta Magna e à decisão dos congressistas, também nesta quarta-feira, de mudar o endereço da Assembléia Constituinte.

O argumento, informou a Agência Boliviana de Informação (ABI), seria o de transferir os debates de Sucre para qualquer outro lugar do país, caso a cidade não ofereça “garantias” para aprovação da nova Constituição.

Para setores da oposição, como o ex-presidente Jorge Quiroga, do partido de direita Podemos, a nova carta tem o mesmo valor que “papel higiênico usado”.

Para integrantes do governo Morales, a Constituição, como foi aprovada, é o caminho para a “refundação” da Bolívia, como defende o presidente.

Divergências

Nesta quarta-feira, as divergências foram ressaltadas no país, onde os Estados mais pobres costumam dar apoio explícito à atual gestão, enquanto os Estados mais ricos realizaram a quarta paralisação contra o governo.

Nos Estados de Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni, Cochabamba, Chuquisaca e Pando (que representam cerca de 80% do Produto Interno Bruto do país) a adesão “foi forte e pacífica”, segundo os organizadores do protestos.

Transportes, escolas e comércio, por exemplo, não funcionaram, informaram os organizadores.

Para o governo, como destacou a ABI, a greve não foi pacífica e grupos tentaram “impôr” a paralisação “à força”.

A ABI afirmou ainda que a União Juvenil Cruzenha (que reúne estudantes opositores a Morales) fechou o trânsito e que os manifestantes “atacaram” os que não aderiram à ordem do Comitê Cívico Pro-Santa Cruz – carro-chefe dos protestos contra Morales neste Estado.

 
 
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