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Atualizado às: 13 de dezembro, 2007 - 11h58 GMT (09h58 Brasília)
 
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UE dá 'ultimato' aos EUA sobre metas de emissões em Bali
 

 
 
Manifestação em frente ao local da conferência da ONU em Bali
Negociações sobre metas de emissões permanecem em impasse
Representantes da União Européia voltaram a pressionar os Estados Unidos nesta quinta-feira, durante a reunião das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, em Bali, na Indonésia, a aceitarem o estabelecimento de metas de redução de emissões de carbono para um futuro acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

Os representantes do bloco europeu disseram considerar “sem sentido” participar da reunião proposta pelo governo americano com as maiores economias do mundo sem um acordo em Bali.

O condicionamento da presença européia à reunião convocada pelos Estados Unidos serve como uma espécie de ultimato em meio ao impasse que ainda permanece nas negociações no penúltimo dia do encontro sobre o clima.

"Se tivermos um fracasso em Bali, não vai fazer sentido acontecer essa reunião das principais economias. Sem um 'mapa do caminho', sem um destino, o encontro perde o sentido", afirmou Humberto Rosa, ministro do Meio Ambiente de Portugal, o país que atualmente ocupa a Presidência rotativa da União Européia.

Os europeus defendem a adoção da meta recomendada pelo Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), que prevê cortes de 25% a 40% nas emissões dos países ricos até 2020.

Novo Kyoto

Para os americanos, no entanto, a inclusão dessas metas no chamado "mapa do caminho de Bali", como vem sendo apelidado o documento que deve ser produzido até sexta-feira na reunião da ONU, vai ter uma influência negativa nas discussões sobre o acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

Os americanos têm o apoio do Canadá, do Japão e, possivelmente, da Austrália, que ainda não esclareceu a posição oficial sobre a questão.

O consenso científico apresentado pelo IPCC indica que cortes de 25% a 40% são necessários para se manter a elevação da temperatura da Terra a menos de 2ºC. Acima disso, os cenários previstos pelos cientistas passam a ser catastróficos.

Por isso, a União Européia considera vital que os números – que representam a opinião científica sobre o assunto – entrem na decisão final de Bali, para que se tenha uma idéia do rumo a ser seguido.

"Chegou a hora de os Estados Unidos mostrarem liderança. Não só palavras, mas ações. Não podemos deixar a conferência esvanecer", disse o comissário da Comissão Européia, o grego Stavros Dimas, que defendeu um "mapa do caminho" suficientemente ambicioso para ser capaz de combater a mudança climática.

Transferência de tecnologia

De acordo com o ministro português Humberto Rosa, o impasse em torno das metas complica todas as negociações, já que os países em desenvolvimento já teriam demonstrado disposição em assumir compromissos de redução de emissões.

No entanto, sem o exemplo dos países ricos, "o fardo recai sobre os países em desenvolvimento".

Por outro lado, o secretário-executivo da reunião da ONU, Yvo de Boer, anunciou avanços no outro tema que parecia estar empacado em Bali: a transferência de tecnologia.

Boer anunciou que os ministros decidiram pela criação de um novo programa estratégico, operado pelo Fundo Ambiental Global (GEF, na sigla em inglês).

A idéia é que o GEF avalie as necessidades tecnológicas de cada país, para adaptação a tecnologias mais limpas, e a partir disso elabore projetos e linhas de crédito com verbas públicas e privadas para possibilitar a transferência de tecnologias que levem ao desenvolvimento limpo dos países mais pobres.

 
 
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