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Atualizado às: 28 de dezembro, 2007 - 01h50 GMT (23h50 Brasília)
 
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Entenda as conseqüências da morte de Benazir Bhutto
 
Ex-premiê Benazir Bhutto
Morte de Benazir Bhutto deixa vácuo político no Paquistão
A ex-premiê do Paquistão Benazir Bhutto, que governo o país por duas ocasiões, foi assassinada enquanto fazia campanha para seu partido para as eleições parlamentares, marcadas para o dia 8 de janeiro.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre as conseqüências da morte da política paquistanesa.

Qual será o impacto da morte de Bhutto no Paquistão?

Bhutto era uma das principais lideranças entre os diversos partidos do país. Ela esperava que seu partido, o PPP, sairia das eleições de janeiro como principal força política do Paquistão.

A eleição parlamentar é a primeira desde que o presidente do país, Pervez Musharraf, renunciou à chefia das Forças Armadas e se tornou um líder civil.

A morte de Bhutto criou um vácuo político.

A família Bhutto é lendária no Paquistão. O pai da ex-premiê, Zulfiqar Ali Bhutto, também serviu como primeiro-ministro do país. Ele foi enforcado depois de ser deposto por um golpe do general Zia-ul-Haq.

Benazir Bhutto era uma personalidade polêmica.

Educada no Ocidente e carismática, ela se apresentava como uma força moderada e democrática e era tratada assim em grande parte do mundo ocidental.

Os Estados Unidos esperavam que ela pudesse restaurar a legitimidade popular da guerra contra militantes islâmicos, uma tarefa que fracassou nas mãos do presidente Musharraf.

Mas ela também era vista como uma liderança que usou o seu tempo no governo para benefícios financeiros próprios. Ela enfrentou uma série de processos, tanto dentro como fora do Paquistão. Militantes islâmicos a odiavam por suas visões pró-Estados Unidos.

Este ano, Bhutto e Musharraf estavam trabalhando em um acordo para dividir o poder no país. As negociações fracassaram, transformando Bhutto na maior força de oposição a Musharraf.

Quem poderia tê-la assassinado?

Grande parte dos analistas indicam que militantes pró-Talebã, que detêm cada vez maior controle das áreas tribais da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, seriam os principais interessados em matá-la.

Eles nunca esconderam o seu desejo de matar Bhutto desde que ela voltou ao país em outubro, depois de anos de um exílio auto-imposto.

No dia do seu retorno, 18 de outubro, um duplo ataque suicida contra uma carreata de Bhutto em Karachi matou mais de 130 pessoas.

O que está em jogo para a região e para o resto do mundo?

O futuro do Paquistão é um dos pontos importantes para a segurança mundial. Militantes pró-Talebã e aliados da al-Qaeda conseguiram formar um Estado próprio dentro de um Estado nos últimos anos.

Eles têm conseguido lutar contra forças ocidentais no Afeganistão usando o Paquistão como base.

Além disso, grande parte dos atentados realizados no mundo ocidental – como os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos – envolveram pessoas que receberam treinamento e apoio dentro do Paquistão.

O Paquistão também enfrenta uma rivalidade com a Índia, país vizinho ao leste. Os dois países têm armas nucleares.

Quais são as opções do presidente Musharraf?

Musharraf já pediu calma diante dos episódios de violência que surgiram desde a morte de Bhutto.

Uma decisão urgente a ser tomada é se o governo mantém as eleições parlamentares marcadas para o dia 8 de janeiro. O país acabou de sair neste mês de um período de estado de exceção, em que o governo afastou juízes que poderiam declarar inconstitucional a eleição de Musharraf.

A popularidade do presidente caiu muito em 2007, em parte pela incapacidade do governo de derrotar os militantes islâmicos. Musharraf também deixou a chefia das Forças Armadas. Ainda não se sabe como o novo comandante, o general Ashfaq Pervez Kayani, vai lidar com os militantes.

 
 
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