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Atualizado às: 07 de janeiro, 2008 - 10h31 GMT (08h31 Brasília)
 
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Censura chinesa tem lista diária de 'histórias sensíveis'
 

 
 
TVs na China
China é um dos países com maior censura à imprensa
Quando os jornalistas da emissora de televisão estatal chinesa CCTV chegam ao trabalho, todos os dias, uma das primeiras janelas que salta na tela do computador inclui recomendações de como ou quais notícias podem ser transmitidas.

Os avisos são curtos e raramente indicam a autoria, mas todos contém instruções restritivas sobre como noticiar uma história.

Recentemente, os jornalistas foram advertidos a não noticiar um escândalo no setor de saúde, como reportar a morte da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto e a ficar de fora de uma polêmica sobre um filme americano.

A censura é um fator do jornalismo chinês desde que o Partido Comunista chegou ao poder.

Mas o alcance das chamadas "histórias sensíveis" mostra que, na China, qualquer notícia ou assunto, em qualquer momento, pode ser vítima da caneta do censor.

Sem explicação

No última dia 19, os jornalistas da CCTV receberam um aviso para não noticiar o caso de uma trabalhadora imigrante grávida que morreu em um hospital.

A notícia havia sido amplamente divulgada pela imprensa chinesa, mas os funcionários da televisão estatal não puderam tocar no assunto.

A saga começou quando a imigrante foi levada para um hospital de Pequim, por causa do que seu marido chamou de "simples resfriado".

Ao chegar lá, os médicos disseram que ela tinha pneumonia e que seria necessária uma cesariana de emergência.

O marido, acreditando que o hospital queria cobrar por uma cirurgia cara e desnecessária, recusou. A mulher morreu três horas depois.

O aviso não explicava por que a história estava proibida, mas a saúde é um assunto de intenso debate entre os chineses.

Muitos suspeitam que médicos receitam remédios caros e exames desnecessários como forma de aumentar seus salários.

Hollywood

Dois dias depois, a censura veio sobre outra história: a informação de que o governo havia proibido a exibição de alguns filmes de Hollywood em cinemas chineses.

Mais uma vez, a advertência não explicava os motivos, mas já há algum tempo há uma certa tensão nas relações comerciais entre China e Estados Unidos.

Os censores da CCTV também determinaram como os jornalistas deveriam noticiar a morte de Benazir Bhutto.

A China e o Paquistão são aliados próximos e, apesar de não poder ignorar a morte da ex-primeira-ministra, o governo chinês não queria atirar lenha na fogueira, causando ainda mais problemas para o governo paquistanês.

A orientação foi para que os jornalistas se restringissem a relatar apenas os fatos e não conectar o incidente aos problemas políticos internos do Paquistão, ou sequer mencionar a possibilidade de um atentado.

"Evitem atrair fogo contra vocês mesmos", dizia o aviso. "Evitem se deixar envolver nas contradições internas do Paquistão."

Desta vez, a autoria era clara: o Departamento Central de Propaganda do partido.

Ponta do iceberg

Segundo David Bandurski, pesquisador da China Media Project, uma organização com sede em Hong Kong que monitora a imprensa chinesa, essas três histórias são apenas a ponta do iceberg.

"Há todos os tipos de proibições e advertências contra todos os tipos de notícias por diferentes motivos", diz Bandurski.

Alguns assuntos são sempre fora dos limites na China, como especulações sobre líderes nacionais, por exemplo.

Outras questões, como saúde, educação e inflação, são monitoradas de perto porque são potencialmente polêmicas.

Recentemente, os jornalistas da CCTV foram orientados a seguir a Xinhua, agência nacional de notícias chinesa, quando reportassem aumento de preço de combustíves.

Algumas vezes, até histórias inocentes podem se tornar sensíveis, como um recente debate sobre TV digital, porque tocava na questão de direitos do consumidor.

Espaço para manobra

Apesar dos obstáculos, Bandurski afirma que muitos jornalistas chineses tentam furar a censura.

"A imprensa está ficando mais sábia sobre que histórias são completamente tabu e que histórias têm espaço para manobra, mesmo por pouco tempo", afirma o pesquisador.

Mas a censura nem sempre foi tão forte na China. Zhan Jiang, professor de jornalismo na Universidade Jovem de Pequim para Ciências Políticas, afirma que havia mais liberdade de imprensa nos anos 80.

Mas este período relativamente tranqüilo chegou a um fim abrupto em 1989, com os protestos na Praça da Paz Celestial.

O professor não é otimista em relação ao futuro próximo: "Por um lado, (o presidente chinês) Hu Jintao sugere metas que a gente deve ter em mente, como a democracia e a ordem da lei", diz Zhan Jiang.

"Mas, por outro lado, as forças que se opõem à democracia, à ordem da lei e particularmente à liberdade de expressão são poderosas", conclui o professor.

 
 
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