BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 26 de março, 2008 - 10h16 GMT (07h16 Brasília)
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
Goiana já levou mais de 50 parentes para a Itália
 

 
 
Selma e alguns dos parentes que já levou para a Itália (arquivo pessoal).
Selma já chegou a morar com 10 parentes em um cômodo.
A goiana Selma Magna de Andrade está na Itália desde 1989. Não enriqueceu, não tem um bom emprego, mas se considera uma privilegiada por poder ajudar inúmeros conterrâneos na capital da Itália.

Pioneira entre os imigrantes brasileiros na Itália, ela já ajudou mais de 50 parentes a se estabelecerem na Europa e atua como voluntária em um serviço informal de empregos.

Todas as noites de quinta-feira, ela faz plantão em uma pizzaria nas proximidades do Vaticano, onde o proprietário não se importa em ceder uma sala para o encontro de brasileiros.

É lá que a goiana orienta desempregados – alguns recém-chegados–, e imigrantes que estão à procura de um melhor emprego.

"Tudo é muito informal. Não tenho uma agência de empregos. As pessoas me ligam, falam que precisam de alguém para determinada vaga, dizem o perfil do candidato e, na quinta-feira, eu encaminho o mais adequado", disse. "Sou uma espécie de quebra-galho para os brasileiros".

Segundo a goiana, as vagas que aparecem são para manicure, cabeleireiro, acompanhante para idosos, babá, doméstica, pedreiro, eletricista, bombeiro hidráulico e algumas funções em hotéis e restaurantes.

De acordo com ela, quando as vagas são para secretárias de consultórios ou escritórios, há sempre discriminação.

"Eles exigem que a candidata tenha boa aparência, seja bonita, jovem e esteja legal no país”, disse. “Há também aqueles que têm um quarto ou uma cama disponível no apartamento e querem dividir as depesas. É sempre uma maneira de ajudar".

Antes de vir para a Itália, Selma trabalhava como secretária na Secretaria da Condição Feminina do Governo de Goiás.

Em Roma, já foi doméstica, babá, garçonete, balconista e acompanhante de idoso. Hoje, trabalha como entregadora de um jornal gratuito nas estações do metrô e, de vez em quando, ajuda padres, que são hospitalizados e necessitam de companhia.

Além disso, pertence ao conselho dos cidadãos brasileiros em Roma, vinculado à Embaixada do Brasil.

“Nunca deixei o trabalho voluntário de lado. No meu primeiro ano em Roma, eu ficava sentada num banco em frente da Praça Navona, onde está a Embaixada do Brasil. Ali, tentava arrumar trabalho e casa para os brasileiros”, lembra. “No fim dos anos 90, consegui uma sala no Colégio Pio Brasileiro e montei uma loja. Pedia roupas de inverno para padres e freiras e as entregava para quem necessitava.”

Depois de dois anos e meio no país, ela voltou ao Brasil disposta a ficar. Comprou um apartamento no centro de Goiânia e levou dinheiro de economias. Mas acabou voltando a Roma.

"Fiquei apenas três meses. Nesse meio tempo, meu irmão pediu para que eu o ajudasse a vir para a Itália", recordou-se. "Trabalhei na colheita de maçã em Trento, no norte do país. Ganhei bastante dinheiro e mandei o que podia para ele vir para cá."

Depois de seis meses, veio a irmã, o genro e as portas foram se abrindo para os demais parentes.

Selma vem de uma família de 11 irmãos. Oito estão na Itália com ela, junto com a mãe, primos, sobrinhos e cunhados.

Em alguns momentos de dificuldades, chegou a morar com outros 10 parentes em um único cômodo.

Hoje, vive com o marido, que também é primo dela. No próximo mês, aguarda a chegada de outros três primos.

"Sempre trabalhei por amor a Deus. Não acho bom quando as pessoas tratam os recém-chegados de maneira pessimista, dizendo que não tem emprego aqui, que fizeram uma grande bobagem em sair do Brasil", afirma. "As coisas não são fáceis na Itália. Não dá para enriquecer, ou mandar muito dinheiro para o Brasil. Mas pior é colocar para baixo aqueles que estão dispostos a trabalhar e ter uma vida melhor."

De acordo com ela, o ponto de encontro de quinta-feira – dia de folga para quem trabalha com serviço doméstico no país – não serve apenas para arrumar emprego e casa.

Alguns consideram a ocasião como lazer. Um momento para conhecer outros brasileiros e arrumar namorados. Neste ano, Selma pretende fazer o mesmo também aos sábados. Falta apenas arrumar um local disponível para os encontros.

 
 
passaporte sendo carimbado OCDE
Brasil fica em 2º em lista de imigrantes mais empregados.
 
 
Prostituição Itália
Justiça analisa caso de prostituta brasileira violentada em Milão.
 
 
Imigrantes legalizados na Alemanha 'Blue Card'
UE analisa proposta para criar seu próprio 'Green Card'.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade