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Atualizado às: 07 de março, 2008 - 21h32 GMT (18h32 Brasília)
 
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Líderes de Equador e Colômbia trocam farpas sobre Farc
 

 
 
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, durante a reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo
Uribe disse que países têm direito de garantir sua segurança
Os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Colômbia, Álvaro Uribe, trocaram farpas nesta sexta-feira durante uma reunião do Grupo do Rio em Santo Domingo, República Dominicana, na qual o principal tema de discussão foi a recente incursão militar colombiana em território equatoriano.

O clima ficou tenso quando Correa saiu da sala enquanto Uribe estava falando, e o presidente colombiano se negou a continuar falando na ausência de Correa. A chanceler equatoriana informou que seu presidente se ausentou para ir ao banheiro, e a reunião foi interrompida por alguns minutos até o retorno do presidente.

“Não posso aceitar que o Equador diga que não tem relações com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia)”, disse Uribe, se referindo ao grupo rebelde que foi alvo do bombardeio colombiano no sábado passado.

Correa tomou a palavra e contestou: “Que difícil acreditar em quem mentiu tanto e tantas vezes”. Uribe respondeu: “Não me aplique esse cinismo nostálgico comunista”.

Regionalização

Uribe, que não compareceu para a foto oficial da reunião com os demais presidentes, acusou Correa de não cooperar com a “luta antiterrorista” contra as Farc e disse que essa foi a razão de a Colômbia não ter alertado o Equador sobre a incursão.

Por sua vez, Correa acusou Colômbia de ser responsável pela regionalização do conflito armado e pelo narcotráfico.

É a primeira vez que Uribe, Correa e seu colega venezuelano Hugo Chávez se encontraram após o bombardeio em que 25 guerrilheiros das Farc foram mortos, entre eles, o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes.

 Estou disposto a pedir desculpas (pela incursão), mas que não se fale só de soberania territorial e sim do direito soberano dos povos de garantirem sua segurança
 
Álvaro Uribe, presidente da Colômbia

“Estou disposto a pedir desculpas (pela incursão), mas que não se fale só de soberania territorial e sim do direito soberano dos povos de garantirem sua segurança”, disse Uribe.

Investigação

Também durante sua intervenção, o presidente colombiano passou a ler correspondências encontradas em um computador que supostamente pertencia a Raúl Reyes, nas quais o presidente colombiano indicou que as Farc discutiram enviar uma ajuda financeira para a campanha eleitoral de Correa, eleito em janeiro de 2007.

“Apresento estes documentos para que o seu governo investigue”, disse Uribe a Correa.

O presidente equatoriano disse depois estar disposto a criar uma comissão, incluindo membros da oposição equatoriana, para investigar os documentos apresentados por Uribe.

"Me mande toda (a documentação) e lhes dou a garantia que faremos uma comissão com a oposição para que revisem tudo (...) Estas mãos estão limpas e sem sangue. Nada justifica essa agressão," afirmou Correa.

 O primeiro país que deve colaborar na luta contra a guerrilha, o terrorismo, o narcotráfico, e paramilitares é a Colômbia
 
Rafael Correa, presidente do Equador

O presidente equatoriano também rebateu a acusação de Uribe que afirma ter sofrido 40 ataques das Farc em 2004 a partir de território equatoriano. “Tem razão, sofreram 40 agressões, pode ser verdade, mas foi no governo de Lucio Gutiérrez (ex-presidente do Equador), que é pró-americano, então ele também apóia o terrorismo?”, questionou.

“O primeiro país que deve colaborar na luta contra a guerrilha, o terrorismo, o narcotráfico, e paramilitares é a Colômbia”, disse Correa.

O presidente equatoriano acusou a Uribe de descuidar suas fronteiras e com isso permitir a regionalização do conflito armado colombiano aos demais países da região.

“Aqui, os culpados não somos nós, os vizinhos, e sim a Colômbia, que não cuida das suas fronteiras. Nos custa milhões de dólares e sangue cuidar a fronteira norte (com a Colômbia), argumentou Correa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à reunião e foi representado pelo chanceler Celso Amorim.

 
 
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