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Atualizado às: 10 de março, 2008 - 15h07 GMT (12h07 Brasília)
 
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Bolívia defende coca em reunião da ONU
 
Cocalero
O plantio de coca é o meio de vida de 300 mil famílias bolivianas
Autoridades bolivianas chegam a Viena nesta segunda-feira para participar de uma conferência antidrogas da Organização das Nações Unidas e pretendem pedir que a ONU retire a folha de coca de uma lista de drogas perigosas.

O Painel Internacional de Controle de Narcóticos – que monitora a implementação das convenções de controle de drogas da ONU – pediu à Bolívia e ao Peru que adotem medidas domésticas para proibir o ato de mascar folhas de coca e o uso da planta em produtos como o chá.

Os bolivianos acreditam que este é um ataque contra a própria cultura deles, segundo o correspondente da BBC em La Paz, Andres Schipani, mas especialistas alegam que grande parte das plantações de coca do país acaba sendo transformada em cocaína, tornando a Bolívia o terceiro maior produtor da droga no mundo.

Ataque

Segundo um relatório recente do Painel Internacional de Controle de Narcóticos, o ato de mascar folhas de coca favorece o aumento do vício em drogas, mas uma fonte da delegação da ONU na Bolívia disse à BBC que “o relatório foi mal interpretado e que os usos tradicionais não eram o ponto chave” do documento.

O painel está agora pedindo a proibição dos usos tradicionais, bem como da potencial industrialização e exportação da coca para estes fins, provocando revolta na comunidade andina.

O vice-ministro da Coca e Desenvolvimento Integral, Jerónimo Meneses, acredita que a coca está incutida na cultura boliviana.

“A comunidade internacional não entende realmente o que acontece no nosso país e acredita que a coca em seu estado natural também é cocaína, o que é completamente falso”.

“Tudo isso é muito sério para a gente e não vamos aceitar isso (a proibição) porque a coca também é nossa cultura, nossa tradição”, afirma Meneses.

A folha de coca, matéria prima para a fabricação de cocaína, é consumida em seu estado natural na Bolívia desde os tempos pré-coloniais.

Em uma carta enviada para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o presidente boliviano Evo Morales - ex-líder cocaleiro - rejeitou a proibição.

Grande produtora

Já há alguns anos, a comunidade internacional pede a redução do plantio de coca e acredita-se que boa parte da produção se destine ao tráfico internacional.

Quando Morales chegou ao poder há dois anos, uma de suas promessas era proteger os plantadores de coca com a política “cocaína zero, mas não coca zero”.

Um aspecto chave do plano de Morales era reduzir as plantações de coca, fazendo com que a produção fosse suficiente apenas para abastecer o chamado uso “tradicional” – como mascar a folha e beber o chá.

Desta forma, ele manteria a viva a velha tradição inca e também o meio de vida de cerca de 300 mil famílias de cocaleros bolivianos.

Os plantadores de coca na Bolívia planejaram uma "mastigação maciça" das folhas de coca nesta segunda-feira, em La Paz, para coincidir com o encontro da ONU.

Os camponeses, mineiros e operários de obra são os maiores consumidores da folha de coca na Bolívia. Eles afirmam que a mastigação ameniza a fome, o cansaço e o sono.

 
 
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