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Atualizado às: 24 de março, 2008 - 08h30 GMT (05h30 Brasília)
 
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Boom ainda não atrai imigrantes de volta ao Brasil
 

 
 
Imigrante brasileira distribui panfletos no centro de Londres. Foto: Néli Pereira.
M.C., à direita, diz que ainda há mais vantagens em se morar fora do Brasil.
O bom momento econômico que o Brasil atravessa ainda não foi suficiente para atrair de volta brasileiros que deixaram o país em busca de uma vida melhor no exterior.

Depois de anos em crise e um período de estabilidade, a economia brasileira vive um momento de expansão e otimismo. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano passado, ao Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,4% - a maior taxa desde 2004.

Apesar de as notícias sobre a expansão econômica ganharem destaque freqüente, não só no Brasil, como nos principais jornais internacionais, esse melhor momento ainda não "convenceu" brasileiros no exterior como
a paranaense M.C, de 20 anos.

"Se o Brasil estivesse tão bom, a gente não estaria aqui trabalhando até de madrugada para juntar dinheiro", disse ela à BBC Brasil durante um dos turnos como entregadora de panfletos no centro de Londres.

"Só vejo brasileiro chegando, com toda força. Quem voltou para o Brasil, quer logo voltar pra cá. Não ouço nem falar que lá está melhor", disse. "Acho que situação só deve ter melhorado para os ricos", concluiu a brasileira, que chegou a Londres há nove meses.

Reversão

De acordo com o demógrafo Wilson Fusco, da Fundação Joaquim Nabuco, "as transformações econômicas não provocam uma reação imediata nos imigrantes".

"Os parentes e amigos no Brasil precisam sentir essas alterações para incentivar a volta desses brasileiros. As notícias nos jornais não têm o mesmo impacto que o contato com quem ficou no Brasil", disse o pesquisador à BBC Brasil.

Apesar de não representar – pelo menos por enquanto – um fator de atração de imigrantes, Fusco acredita que as melhores notícias do Brasil acabarão fortalecendo, em breve, decisões de retorno. Seriam como mais um motivo para voltar entre outros como as dificuldades provocadas por um maior controle contra ilegais e a alta do real frente a moedas como o dólar, a libra e o euro.

"O retorno dos brasileiros que estão fora do país deve acontecer mais rapidamente do que a diminuição das saídas. Qualquer mudança concreta na situação econômica pode antecipar e estimular a volta dos brasileiros que já planejam retornar ao país", afirmou.

Flávia Faria, que está de malas prontas para embarcar para Londres em Junho, confirma a tendência apontada por Fusco.

Em entrevista à BBC Brasil, a goiana, de 21 anos, diz que além de não sentir a mudança na economia do país, não pensou em abandonar os planos de deixar o Brasil.

Flávia Faria. Foto: Arquivo pessoal.
Flávia não pretende abandonar os planos de sair do Brasil.

"Tenho convicção de que minha situação financeira irá melhorar quando retornar. Hoje em dia, mesmo trabalhando e contendo os gastos, não dá pra economizar nada", disse.

Carlos Mellinger, presidente da Associação Brasileira no Reino Unido (Abras), disse à BBC Brasil que é preciso mais do que crescimento econômico para reverter o fluxo migratório.

"Para ocorrer, esse processo precisa envolver uma mudança em aspectos culturais e também nas condições do mercado de trabalho no Brasil", disse.

Ele acrescentou que, de acordo com os brasileiros que procuram a Abras, ainda há um volume maior de imigrantes chegando a Londres do que pensando em retornar.

O 'sonho' americano

Nos Estados Unidos, onde a expansão da economia brasileira está ocorrendo em paralelo a uma crise em diversos setores da economia, a situação é um pouco diferente.

De acordo com uma estimativa do Centro para Imigrantes Brasileiros em Boston, apenas no Estado de Massachussets, cerca de 6 mil brasileiros voltaram para o Brasil em 2007.

A razão, no entanto, está mais relacionada à crise econômica nos Estados Unidos do que à expansão econômica brasileira.

"A crise econômica, a desvalorização do dólar e as políticas mais restritivas combinadas são a principal razão da volta de muitos brasileiros", disse o presidente do Centro do Imigrante, Fausto Rocha, à BBC Brasil.

"O crescimento econômico pode até vir a ser o motivo para que os brasileiros deixem os EUA daqui a dois ou três anos, mas ainda não é a razão que os faz ir embora", afirmou.

"Por enquanto, as boas notícias sobre o crescimento econômico do Brasil apenas alimentam a esperança de que, quando retornarem, a situação do país estará melhor", concluiu.

 
 
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