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Atualizado às: 20 de março, 2008 - 14h51 GMT (11h51 Brasília)
 
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'Economist' pergunta por que crescimento do Brasil fica atrás da Argentina
 
Economist pergunta por que crescimento do Brasil fica atrás da Argentina
Economist atribui crescimento argentino a preço de commodities
Com artigo intitulado A lebre e a tartaruga, a revista britânica The Economist, que chega às bancas na sexta-feira, compara o crescimento econômico do Brasil e da Argentina e tenta explicar por que os “vagarosos brasileiros estão alcançando a veloz economia argentina”.

“Pegue duas economias vizinhas, ambas extremamente dependentes de preços de commodities para obter bons resultados na balança comercial. Aplique a uma delas uma política monetária ortodoxa e veja ela acolher investidores estrangeiros e adotar o câmbio flutuante. Entregue o comando da outra a empreendores que recorreram à fixação de preços, proibição ou taxação de algumas de suas próprias exportações, e que mentem abertamente sobre a taxa de inflação. O resultado? O malandro – Argentina – continua a crescer a uma taxa de 9%, enquanto que, por contraste, o bem comportado Brasil segue vagaroso. É hora de reescrever os livros de economia? Os argentinos acham que sim. Mas há sinais de que o Brasil ainda pode chegar na frente.”

Segundo o artigo, o Brasil adota uma política econômica mais cautelosa, voltada, principalmente, para o combate à inflação e para evitar o risco de um grande déficit na conta corrente do país.

“Na Argentina, essa cautela é sinal de fraqueza. Os políticos do país parecem determinados a mostrar que tudo que a América Latina precisa para crescer tão rápido quanto a China é arrancar a camisa-de-força do ‘neoliberalismo’ e de seus principais patrocinadores – aqueles horrorosos detentores de títulos e o FMI.”

Previsões erradas

A Economist se refere à previsão errônea de vários economistas de que a Argentina iria enfrentar um desaquecimento econômico nos últimos cinco anos e afirma que, segundo uma fonte próxima à presidente Cristina Kirchner e ao seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, “esses economistas erraram diversas vezes. Talvez seja hora de acharmos novos economistas”.

Para a revista, para entender como dois líderes de esquerda vieram abraçar políticas tão diferentes, é preciso olhar como seus respectivos países responderam aos problemas econômicos de 2001-2002.

"A Argentina, depois de vários anos em crise, abandonou a taxa de câmbio fixa, desvalorizando o peso e dando um calote na dívida pública. O Brasil, que mantinha o câmbio flutuante desde 1999, respondeu à turbulência em seus mercados de câmbio e dívidas em 2002 apertando ainda mais suas políticas fiscal e monetária.”

Segundo a The Economist, a desvalorização do peso funcionou e em 2005 a maior parte da capacidade industrial do país estava de volta em ação, mas como os novos investimentos eram insuficientes para sustentar o rápido crescimento, o governo abriu os cofres, aumentando salários e aposentadorias.

A revista acrescenta que “o crescimento continuou, mas a inflação pulou para 20% ao ano. Ninguém sabe o número exato, já que o governo o maqueia.”

Baixo crescimento

“Em contraste, o Banco Central do Brasil persegue uma meta de inflação, e não da taxa de câmbio. O real valorizou com a alta recorde do preço das commodities, gerando reclamações dos empresários industriais. Mas o Banco Central manteve a taxa de juros em 11,25% desde setembro passado. E ainda assim, a demanda doméstica é forte. Neste ano, com a alta acentuada do volume de importações, o Brasil deve apresentar um pequeno déficit de conta corrente, pela primeira vez desde 2002.”

O crescimento argentino (de 8% no último trimestre de 2007) provavelmente se deve mais ao aumento do preço da soja no mercado internacional do que à política econômica do governo Kirchner, afirma Daniel Volberg, do banco de investimentos Morgan Stanley, entrevistado pela revista.

Segundo Volberg, se as previsões feitas em 2003 para o crescimento do PIB mundial e evolução dos preços de commodities estivessem corretas, a Argentina teria crescido apenas 3,7%. Em contraste, o Brasil teria perdido apenas 1,6 pontos percentuais de sua taxa de crescimento de 6,4% no mesmo período.

“Então, apesar de os dois países terem se beneficiado enormemente das condições externas favoráveis, o Brasil está melhor posicionado do que pode parecer. Por causa da baixa inflação, em termos reais o crescimento da renda brasileira começou a alcançar a dos argentinos. Mas o Brasil tem muito mais espaço de manobra se a situação piorar. A Argentina, em contraste, se colocou em uma posição delicada. Qualquer diminuição da receita gerada pelas exportações prejudicaria sua base de arrecadação fiscal, e o Banco Central argentino dificilmente poderia imprimir mais dinheiro do que o nível atual.”

A Economist conclui afirmando que o investimento direto estrangeiro cresceu 84% no Brasil, no ano passado, em comparação com um crescimento de apenas 12% na Argentina.

“Os brasileiros podem ser perdoados por acessos ocasionais de inveja em relação aos vizinhos, mas as coisas boas acontecem para quem sabe esperar.”

 
 
Banco Central 'El País'
Artigo compara crescimento brasileiro a modelo asiático.
 
 
O Gigante Vizinho
A relação do Brasil com os outros países da América do Sul.
 
 
Luiz Inácio Lula da Silva The Guardian
'Seria Lula um herói acidental?', pergunta jornal.
 
 
'The Guardian'
Brasil 'se tornou ator econômico de peso', diz jornal.
 
 
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