BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
 
Atualizado às: 26 de março, 2008 - 10h45 GMT (07h45 Brasília)
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
Ex-menina de rua vira empresária em Roma
 

 
 
Auto-retrato de Rosa Neves.
Rosa saiu do Rio ainda criança e, hoje, tem um estúdio fotográfico.
Rosa Neves, de 38 anos, não tem saudades do tempo em que trabalhava na praia de Copacabana vendendo cerveja, refrigerante e sanduíche natural. Também não sente nenhuma falta do período em que morava nas ruas do Rio de Janeiro.

Há 23 anos vivendo em Roma, a carioca se considera uma das poucas brasileiras que se deram bem no país sem recorrer à prostituição.

"Me formei em fotografia na Itália e, há anos, vivo disso. Tenho meu estúdio fotográfico no centro histórico da cidade, trabalho com uma agência matrimonial e também como consultora de estilo", contou a carioca, que investe tudo o que ganha no Brasil.

"Comprei terras em Itajaí, em Santa Catarina, uma casa na Bahia e estou concluindo a compra de mais outra casa e de três terrenos", disse à BBC Brasil.

Oportunidade

Quando era criança, para evitar a longa jornada até Niterói (município vizinho ao Rio), onde vivia sua família, Rosa dormia em qualquer lugar: na praia ou na casa de amigos, que conhecia nas ruas e moravam em favelas.

"Costumava também fazer amizade com os porteiros dos prédios residenciais e pedia a eles para dormir em qualquer cantinho", lembra.

A vida dela começou a mudar aos 11 anos, quando conheceu uma família italiana em frente a um luxuoso hotel.

"Eles se interessaram por mim, não entendiam como uma criança poderia estar trabalhando nas ruas, queriam saber se eu estudava, estavam dispostos a me ajudar".

Da amizade, surgiu, um ano depois, o convite para trabalhar como mensageira na agência de turismo de propriedade dos italianos no Rio de Janeiro.

Aos 15 anos, ela viajou com essa família para a Itália, onde retomou os estudos e começou a trabalhar como babá. Com quase 16, conheceu o ex-marido e se casou com ele quando completou 18 anos.

"Me acostumei com a vida aqui. Gosto da segurança que o país proporciona. Mas é só isso. Estou na Itália por causa do meu trabalho. Não tenho afinidade com os italianos", disse.

"Meu sonho é voltar para o Brasil o mais rápido possível, montar uma parceria com um fotógrafo e vir para cá de vez em quando", contou.

A fotógrafa afirma que não gosta de muita coisa na Itália. Reclama da falta de tempero na comida e diz que os italianos não sabem se divertir, namorar ou conquistar uma mulher.

Rosa lembra que, quando chegou ao país, os italianos não tinham preconceito contra estrangeiros. Mas tudo começou a mudar com a chegada dos travestis e das mulheres na prostituição.

"Antigamente, éramos tratados como novidade na Itália, porque éramos poucos e discretos. Hoje, é um pouco diferente. Quando eles encontram uma brasileira, automaticamente, pensam que ela está aqui para se prostituir, é pobre, é mulher fácil", explicou.

Carreira

A brasileira começou a trabalhar com fotografia em 1996, depois que seu casamento chegou ao fim, e nunca mais parou. Primeiro, trabalhou como ambulante e funcionária de uma agência de fotos, até que, em 2002, abriu seu primeiro estúdio.

Auto-retrato de Rosa Neves.
Rosa consolidou a carreira como fotógrafa.

Além do trabalho, há mais de sete anos, Rosa trabalha como voluntária todos os domingos numa instituição de caridade que ajuda pessoas com deficiência física.

"Certa vez, em 2004, o papa João Paulo 2º esteve lá. Nunca esqueço. Ele falou em português 'eu gosto muito do Brasil, terra maravilhosa'. Eu complementei: 'você sabia que Deus é brasileiro?'. Ele só riu e não falou mais nada", disse ao recordar que tirou uma foto ao lado do papa.

Passados 23 anos na Itália, Rosa não sabe como seria sua vida hoje se não tivesse saído do Brasil. No entanto, ela afirmou que, provavelmente, sua trajetória no Brasil não seria muito diferente, pois "batalharia do mesmo jeito, independente do país em que estaria morando".

 
 
Imigração
Você acha que vale a pena viver em outro país?
 
 
Cédulas Horas extras
Alta do real força imigrantes a jornada maior.
 
 
Imigrante brasileira distribui panfletos no centro de Londres. Foto: Néli Pereira. Economia
Boom ainda não atrai imigrantes de volta ao Brasil.
 
 
Maurício* em Londres (arquivo pessoal) Em Londres
Baiano enfrenta câncer longe da família.
 
 
Ilma Paixão Superação
Ex-faxineira vira pesquisadora de Harvard.
 
 
Bandeira brasileira no centro de Londres. Migração
Êxodo de brasileiros continua três décadas após início de onda.
 
 
Avião Espanha
Em cada 5 barrados em 2007, 2 eram brasileiros.
 
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
 
 
Envie por e-mail   Versão para impressão
 
Tempo | Sobre a BBC | Expediente | Newsletter
 
BBC Copyright Logo ^^ Início da página
 
  Primeira Página | Ciência & Saúde | Cultura & Entretenimento | Vídeo & Áudio | Fotos | Especial | Interatividade | Aprenda inglês
 
  BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
 
  Ajuda | Fale com a gente | Notícias em 32 línguas | Privacidade