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Atualizado às: 11 de abril, 2008 - 22h24 GMT (19h24 Brasília)
 
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Alta dos alimentos pode ajudar o Brasil, diz Mantega
 

 
 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega
País poderia aumentar oferta de produtos agrícolas, diz ministro
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, em Washington, que acredita que o Brasil poderá se beneficiar da alta mundial de preços de alimentos.

Segundo Mantega, a inflação alimentar ''tem o lado ruim, de aumento de custo de alimentos, mas o lado bom, que é o do choque de oferta''.

De acordo com o ministro, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada, porque tem muitas terras agrícolas.

''O Brasil pode se beneficiar até da situação, aumentando a oferta, podemos tomar essa questão como um desafio, não como problema, que nos obriga a aumentar rapidamente a oferta de vários produtos agrícolas.''

Inflação

Mantega comentou que os alimentos estão causando um aumento inflacionário em todo o mundo, inclusive no Brasil.

''No anos passado, tivemos uma inflação de 4,46%. Se tirarmos os alimentos, feijão, leite e derivados, nós vamos para 3 e pouco por cento de inflação.''

Segundo o ministro, a forma eficaz de combater a atual crise é não apenas através do aumento da oferta de produtos agrícolas, mas também pelo investimento e a produção de alimentos.

''Durante muito tempo, os países descuidaram dos investimentos. Deixamos de lado a produção de alimentos e ao mesmo tempo houve um aumento do poder aquisitivo de parte significativa da população mundial, os chineses começaram a comer mais, os indianos, os africanos, os braileiros, todo mundo começou a comer mais'', afirmou.

Os comentários de Mantega foram feitos na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, onde o ministro participa da reunião de primavera do órgão.

Reforma

O ministro elogiou o aumento de cotas destinado aos países emergentes que integram o FMI, que deu a estas nações maior poder de voto dentro do órgão.

O Brasil será um dos beneficiados pela reforma, que deverá ser referendada neste fim de semana, durante a reunião do FMI. O país, que atualmente conta com 1,4% em cotas, passará para 1,7%.

Mantega saudou o papel do atual diretor do fundo, Dominque Strauss-Kanh, na elaboração da nova proposta.

''Desde que assumiu o novo diretor-gerente, as coisas mudaram de forma considerável. Ele imprimiu um novo dinamismo, trabalhou com o Brasil, com a Índia, com todos que criticavam (o modelo anterior). E conseguiu apresentar uma proposta satisfatória'', afirmou.

''É claro que ainda não é a proposta dos nossos sonhos, mas sabemos que a proposta dos sonhos muitas vezes colide com a dos 180 membros do fundo.''

Emergentes

Para Mantega, a reforma do FMI ''beneficia no curto, médio e longo prazo os países em desenvolvimento'', que têm um papel cada vez mais de destaque na economia global.

''Nós estamos assistindo hoje a uma mudança na dinâmica da economia capitalista internacional, no sentido de reforçar um novo pólo, que é constituído pelos Brics (o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China).''

De acordo com o ministro, os países emergentes poderão ser responsáveis pela maior parte do crescimento nas próximas décadas, e por isso, precisam exercer presença até em organismos como o G7, o grupo das sete principais economias mundiais.

''Um G8, G9, G10, G11, será mais eficaz que um G7, porque terá China, Índia, que têm um peso econômico reconhecido. ''

Mas Mantega fez uma ressalva: ''Não iremos participar desse fórum como convidados para tomar o cafezinho. Para tomar parte em meia hora da discussão para irmos embora na parte mais significativa''.

 
 
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