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Atualizado às: 24 de abril, 2008 - 00h07 GMT (21h07 Brasília)
 
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Reunião sobre trigo argentino termina sem acordo
 

 
 
Trigo
Argentina suspendeu exportações de trigo no ano passado
Terminou sem acordo uma reunião realizada nesta quarta-feira entre Brasil e Argentina para discutir a retomada das exportações de trigo argentino ao mercado brasileiro.

As vendas foram suspensas pelo governo argentino no ano passado, mas a expectativa era de que os embarques fossem retomados a partir de maio.

Para isso, no entanto, a Argentina deveria ter reaberto os registros para exportações na última segunda-feira, o que não ocorreu.

Sem o produto argentino, cresce a preocupação nos moinhos brasileiros, que terão de buscar trigo em outros mercados para garantir o abastecimento interno.

O encontro, realizado em Buenos Aires, teve a participação de representantes dos governos e da iniciativa privada dos dois países.

Depois da reunião, a delegação brasileira do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou uma nota afirmando que o Brasil tinha reiterado o pedido de "previsibilidade" para as exportações argentinas.

"Os representantes do Brasil reiteraram o pedido de previsibilidade para os embarques de trigo destinados ao mercado brasileiro", diz o texto.

Segundo a nota, uma nova reunião foi marcada para a primeira quinzena de maio, no Brasil, com a participação do setor privado.

Principal comprador

O Brasil é o principal comprador do trigo argentino. A Argentina produz 15 milhões de toneladas de trigo por ano e consome cerca de 5 milhões de toneladas. O restante é exportado.

Nos últimos tempos, porém, o governo argentino – tanto do ex-presidente Néstor Kirchner como de sua sucessora Cristina Kirchner – tem determinado a suspensão das exportações para dar prioridade ao mercado interno e assim tentar se evitar maior pressão inflacionária.

Para o Brasil, sai mais barato importar o produto da Argentina do que de outros mercados.

Ao final do encontro na capital argentina, o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Luiz Martins, disse que há preocupação entre os que dependem do trigo para abastecer seus moinhos e o mercado brasileiro.

Segundo ele, o Brasil importou no ano passado 1 milhão de toneladas de trigo, e o estoque alcançaria até junho.

Martins disse que o setor pedirá ao governo brasileiro a "ampliação" das importações de trigo, livre de taxas, dos Estados Unidos e do Canadá.

Problemas internos

"Infelizmente não houve entendimento devido aos problemas internos que eles têm aqui", disse Martins ao sair da reunião na capital argentina.

O governo argentino enfrenta uma grave crise com o setor rural desde o mês passado, quando o aumento de impostos sobre as exportações agropecuárias provocou protestos, bloqueio de estradas e panelaços nas principais cidades argentinas.

No início de abril, depois de mais de 20 dias de protestos, os produtores anunciaram uma trégua de um mês.

Nesta quarta-feira, os representantes do setor rural argentino voltaram a se reunir para definir como tentar avançar nas negociações com o governo sobre as exportações, principalmente de trigo, e no pedido do fim da cobrança de impostos para as vendas externas, principalmente de soja.

À saída da reunião, quando questionado sobre o prazo de trégua dado ao governo, o presidente da Sociedade Rural Argentina, Luciano Miguens, respondeu: "Não avançamos praticamente nada até agora".

Arroz

Nesta quarta-feira, o governo brasileiro anunciou que as exportações de arroz serão interrompidas temporariamente, para garantir que não ocorram problemas no abastecimento interno do produto.

“O Brasil é auto-suficiente em arroz e tem um pequeno estoque de excedente, mas para a segurança do abastecimento nos próximos seis a oito meses, quando tiver o período da entressafra, as exportações foram suspensas”, disse o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

Segundo o ministério, o Brasil havia recebido solicitações de países africanos e sul-americanos para a venda de cerca de 500 mil toneladas de arroz.

Stephanes afirmou que os maiores produtores mundiais de arroz, na Ásia, paralisaram as exportações, causando um desequilíbrio na oferta mundial.

O mercado mundial de arroz registra aumento de preços cada vez mais acentuado, e a demanda vem ultrapassando a produção.

“Com o preço favorável, é possível que haja um aumento na produção e que a situação do abastecimento seja sanada até o ano que vem. Com base nisso é que vamos tomar outras providências no Brasil”, disse Stephanes.

 
 
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