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Atualizado às: 27 de junho, 2008 - 11h49 GMT (08h49 Brasília)
 
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Empresa espanhola oferece seqüestro simulado
 

 
 
A espanhola Montse Berguedá durante a simulação do seu seqüestro. Cortesia: Simuladores
Montse Berguedá ficou seis horas 'mantida em cativeiro'
Uma empresa em Barcelona oferece um serviço de seqüestro simulado para quem busca experiências radicais.

O projeto Simuladores foi criado há dois anos por uma companhia de teatro local, que começou anunciando o serviço na internet e em jornais.

Os interessados no seqüestro, realizado por atores, precisam assinar um termo de responsabilidade e pagar 400 euros (R$ 1 mil) pelo serviço.

Depois do pagamento, a empresa tem um mês para atuar. Os falsos seqüestradores vigiam a falsa vítima, controlam seus passos, realizam o seqüestro e mantém a vítima como refém em um cativeiro pelo tempo que ela agüentar.

Em dois anos no mercado, 12 pessoas já pagaram os atores para viver a ameaçadora aventura. Mas com final feliz garantido.

Contrato

O primeiro passo para os aventureiros é assinar um contrato onde o futuro seqüestrado reconhece que aceita passar pela experiência com o maior realismo possível e que está consciente dos sustos que pode levar. Além disso, o cliente tem que se comprometer a não denunciar a empresa.

O contrato estipula ainda que apenas a "falsa vítima" irá passar pelos sustos e que a experiência não irá envolver parentes, companheiros de trabalho, ou amigos para pedidos de resgate.

Além da encenação, o preço do serviço inclui ainda uma gravação de todo o seqüestro para que o cliente tenha uma recordação da experiência.

"Pensávamos que isso poderia ajudar as pessoas a experimentar sensações fortes. Até seria uma espécie de terapia", disse à BBC Brasil um dos três sócios dos Simuladores, Manel Fontmillá.

Simulação

A proposta deu certo e atraiu aventureiros como a espanhola Montse Berguedá, que já pagou para ser seqüestrada.

"O que eu queria era fazer algo diferente e intenso. Queria experimentar, acima de tudo por curiosidade. Acho que a vida deve ser vivida com muita intensidade e vale a pena experimentar muitas situações", disse ela à BBC Brasil.

A aventura de Montse aconteceu 20 dias depois de ela ter assinado o contrato.

"Um dia chamaram pelo interfone para entregar um pacote. Quando abri a porta de casa, invadiram a sala e me pegaram. Na hora levei o susto, mas lembrei o que era. Até ali foi divertido porque senti a adrenalina. Eles atuaram como se fosse de verdade mesmo".

A falsa refém foi levada para um cativeiro na periferia de Barcelona, onde ficou presa durante mais de seis horas. Amarrada numa cadeira, com as mãos atadas e o rosto coberto, ela ouvia que não sairia viva dali.

"Foi a hora em que passei medo. Quando ia notando que o tempo passava e aquilo não acabava e eles dizendo que iam me matar... Ali senti medo de verdade e pedi para parar", ela contou à BBC Brasil.

Sã e salva no final, ela disse que não repetiria a experiência, mas que também não se arrepende.

"Para quem gosta de altos níveis de adrenalina, de riscos, vale a pena", recomendou.

Crítica

Para os policiais espanhóis, a moda do seqüestro por encomenda é uma brincadeira de mau gosto.

Um porta-voz do Sindicato Espanhol da Polícia Judicial disse que a idéia é "ridícula".

"Sinceramente acho que é uma frivolidade irresponsável perante um assunto tão sério. Se as pessoas que contratam um serviço desses passassem por um seqüestro de verdade, perderiam a vontade de fazer essas besteiras", disse à BBC Brasil.

A Associação Espanhola de Escoltas também criticou a proposta da empresa catalã.

"É tão absurda que custa acreditar que seja certa", afirmou o porta-voz Ignacio Bermejo.

 
 
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