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Atualizado às: 10 de agosto, 2008 - 11h34 GMT (08h34 Brasília)
 
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Editora cancela livro sobre esposa infante de Maomé
 
Capa do livro Jewel of Medina (da amazon.co.uk)
Random House não quis lançar 'Jewel of Medina' temendo violência
Uma editora americana cancelou os planos para lançar um livro de ficção sobre a noiva infante do profeta Maomé devido a temores de que a obra provoque violência.

A novela The Jewel of Medina (A Jóia de Medina) seria o livro de estréia da jornalista Sherry Jones e deveria chegar às livrarias na próxima terça-feira.

A editora Random House disse que o livro "pode ser ofensivo" a alguns muçulmanos e que ele "poderia incitar atos de violência em um segmento pequeno e radical".

"Nós decidimos, depois de muita deliberação, adiar a publicação", afirma uma nota divulgada pela editora americana, assinada por Thomas Perry, um dos diretores.

A decisão foi tomada "pela segurança do autor, dos empregados da Random House, vendedores e qualquer um que possa estar envolvido na distribuição e venda desta novela."

A novela conta a vida de A'isha, que é geralmente considerada a esposa favorita de Maomé, desde o seu noivado, aos seis anos de idade, até a morte do profeta.

A autora disse que ficou chocada ao descobrir, em maio, que a publicação de seu livro seria adiada sem previsão de data.

'Pornografia'

A decisão da editora só veio a público depois que a escritora e acadêmica muçulmana Asra Nomani revelou o caso em sua coluna no jornal americano The Wall Street Journal.

Nomani disse que a editora teme uma reação semelhante à publicação do livro Versos satânicos, do britânico Salman Rushdie.

Em 1988, o livro provocou indignação em parte do mundo muçulmano. Uma fatwa – ou ordem de execução – foi declarada contra Rushdie pelo então líder espiritual iraniano, aiatolá Khomeini, forçando o autor a viver escondido por uma década.

No seu artigo, Nomani diz que o papel da professora Denise Spellberg, da Universidade do Texas, foi fundamental para impedir a publicação do livro.

Spellberg, que leu The Jewel of Medina, teria ditto que o livro é "feio", "estúpido" e "levemente pornográfico".

A professora respondeu, em artigo para o mesmo jornal, que ela não teria conseguido impedir sozinha a publicação do livro.

"Eu senti que era meu papel alertar a imprensa sobre o potencial desta novela de provocar ira entre alguns muçulmanos", escreveu ela.

A autora de The Jewel of Medina disse que nunca visitou o Oriente Médio, mas passou anos estudando história árabe. Ela disse que sua novela é uma síntese de tudo que aprendeu.

"Eles tiveram uma grande história de amor", disse Sherry Jones, sobre Maomé e A'isha. A autora acabou de terminar uma seqüência do livro, sobre a vida adulta da protagonista.

A Random House disse que a autora é livre para procurar outra editora.

 
 
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