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Atualizado às: 19 de setembro, 2008 - 21h20 GMT (18h20 Brasília)
 
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EUA anunciam plano bilionário para crise; bolsas disparam
 
Operador da bolsa de Nova York
Bolsas tiveram altas significativas após anúncio nesta sexta
As principais bolsas de valores do mundo tiveram uma sexta-feira de altas vigorosas, refletindo o anúncio de que o governo dos Estados Unidos prepara um plano bilionário para salvar a economia do país.

Os detalhes do plano ainda não foram divulgados, mas as linhas gerais foram discutidas em um encontro entre o secretário do Tesouro, Henry Paulson, o presidente do Fed (Federal Reserve), o banco central americano, Ben Bernanke, e membros do Congresso em Washington.

Paulson afirmou que o plano para salvar o mercado americano da atual crise financeira vai custar "centenas de bilhões de dólares", mas que o resgate custará às famílias americanas "muito menos do que a alternativa: a continuidade da falência de uma série de instituições financeiras e o congelamento dos mercados de crédito".

"A segurança financeira de todos os americanos depende da nossa habilidade de recolocar as nossas instituições financeiras de pé", afirmou Paulson. O secretário do Tesouro disse ainda que é preciso "atacar as causas do problema".

Por sua vez, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que uma intervenção do governo no mercado é "essencial" neste momento.

"A economia americana está enfrentando um desafio sem precedentes", disse Bush. "Estamos respondendo com medidas sem precedentes."

Altas recordes

Diante das informações sobre o plano do governo americano, as bolsas de valores de Londres e Paris fecharam com altas de mais de 8%.

Também foram registradas valorizações significativas nas bolsas de Nova York (o índice Dow Jones subiu 3,3% nesta sexta) e na Bovespa - que fechou o dia com alta de 9,5%.

O plano anunciado pelas autoridades americanas deve incluir a criação de uma agência para absorver papéis podres (que têm um risco muito alto de prejuízo ao investidor) espalhados pelo mercado, o que teria que ser aprovado pelo Congresso.

 A segurança financeira de todos os americanos depende da nossa habilidade de recolocar as nossas instituições financeiras de pé.
 
Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA

Essa medida ajudaria os bancos de Wall Street a se livrar desses papéis, melhorando suas finanças.

Outra medida adiantada pelas autoridades americanas é o uso de até US$ 50 bilhões de um fundo de emergência criado após a grande depressão, no início da década de 30, para socorrer investidores de fundos mútuos (fundos administrados por sociedades de investimento).

Com o dinheiro, o governo garantiria o pagamento de títulos de curto prazo desses fundos, formados por papéis da dívida pública americana, títulos de empresas e outros papéis negociáveis considerados de baixo risco.

Nesta sexta-feira, a SEC - órgão que fiscaliza o mercado financeiro americano, similar à Comissão de Valores Mobiliários brasileira - anunciou a proibição das vendas a descoberto de posições de 799 empresas da área financeira por um período inicial de dez dias.

A venda a descoberto ocorre quando um operador pega emprestado ações de outro para vendê-las, esperando comprá-las de volta a um preço mais baixo e, assim, obter lucro com a diferença. Analistas dizem que esse tipo de operação está por trás de quedas acentuadas em ações de alguns bancos.

Essa medida, de acordo com a SEC, visa resgatar a confiança dos investidores e proteger a integridade e a qualidade do mercado acionário.

Mais medidas

Paulson, Bernanke e parlamentares americanos devem continuar negociando o plano durante o fim de semana.

“Nós conversamos sobre uma abordagem abrangente, que vai exigir a aprovação de leis para lidar com os ativos sem liquidez das instituições financeiras”, disse o secretário do Tesouro a respeito da primeira reunião para discutir a proposta.

Segundo Paulson, as dívidas podres estão “entupindo” o sistema financeiro.

“Para restaurar a confiança em nossos mercados e em nossas instituições financeiras, a fim de que eles possam impulsionar nosso crescimento e prosperidade, nós precisamos lidar com o problema por trás disso.”

O plano americano foi anunciado em um momento em que bancos centrais de vários países continuam injetando bilhões de dólares no mercado para estimular a liquidez.

 
 
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