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Atualizado às: 25 de setembro, 2008 - 19h33 GMT (16h33 Brasília)
 
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Entenda as polêmicas sobre o pacote dos EUA
 
Bolsa de valores
Crise é tida como a pior a atingir os mercados desde 1930
Os congressistas americanos estão tentando fechar um acordo sobre o pacote de resgate à economia americana.

Desde o anúncio sobre o plano para salvar o mercado financeiro do país, na sexta-feira 19, surgiram muitas dúvidas e críticas ao documento de três páginas elaborado pelo Tesouro americano para definir o plano.

Nesta quinta-feira, 25, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e os dois candidatos à sua sucessão, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, se encontraram na Casa Branca para discutir o plano, mas nenhum acordo foi selado.

A BBC Brasil destaca algum dos pontos mais polêmicos sobre o plano, que pode chegar a US$ 700 bilhões.

O pacote é necessário?

O presidente americano, George W. Bush, e seus principais assessores na área econômica afirmam que a economia americana pode enfrentar problemas muito sérios se nada for feito.

Em um discurso na Casa Branca, o presidente americano disse que, sem um pacote de ajuda, “o país pode cair em uma grande recessão” e que o “custo para os americanos será muito maior".

A maioria dos economistas, mesmo os críticos ao plano apresentado pelo governo Bush, concordam que algo deve ser feito. Entre os motivos apontados para intervir estão o fato de a crise estar afetando os mercados de crédito em todo o mundo, o risco de novas empresas financeiras falirem e o impacto negativo no valor das ações das empresas.

Apesar de certo consenso sobre a necessidade de ação, há muita discordância sobre o que deve ser feito.

O que o governo propôs?

O secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, foi um dos principais autores do documento inicial sobre o plano de resgate ao mercado financeiro. O plano foi anunciado com um valor de US$ 700 bilhões e com o objetivo principal de retirar do mercado os “créditos podres” ligados à crise de hipotecas que estão em poder do mercado financeiro nos Estados Unidos.

Isso significa que o governo propôs comprar esses papéis para retirá-los da mão das empresas, fazendo com isso que sua situação financeira melhore, diminuindo o risco de falência e, em tese, aumentando o volume de dinheiro e crédito à disposição do mercado em geral.

Depois do anúncio inicial sobre o pacote, Ben Bernanke, o presidente do Fed, o banco central americano, esclareceu que a intenção era comprar os títulos de má qualidade pelo seu “valor de maturação” e não pelo seu valor de mercado. Ou seja, por um valor bem maior do que eles possuem atualmente.

O plano inicial também previa que todo o controle sobre a administração dos US$ 700 bilhões ficaria a cargo do Tesouro, sem influência externa.

Há dúvidas sobre o ponto principal do pacote, a compra de créditos podres?

Sim. Pra fazer sentido, o governo terá que comprar esses títulos por um valor muito maior do que eles têm atualmente, com a expectativa que no futuro esses papéis voltem a ter valor.

Segundo o editor de economia da BBC Robert Peston, “isso significa que os bancos que venderem seus títulos ao Tesouro (dos EUA) devem receber em dinheiro o equivalente a algo como duas vezes o valor pelo qual esses títulos estão registrados em seus balanços”.

Para Peston, a estratégia representaria uma grande injeção de capital novo no sistema bancário americano, pelo qual os contribuintes americanos não receberiam nada em troca.

O secretário Paulson e a equipe econômica do governo defendem que essa seria a maneira mais eficaz de devolver a confiança ao mercado financeiro e permitir o retorno do crédito.

Para alguns economistas, como o megainvestidor George Soros, o plano não só seria injusto com o contribuinte, mas também ineficaz. Ele argumenta que embora muito grande, o pacote pode se mostrar insuficiente para sanar um mercado – o de hipotecas – de US$ 11 trilhões. Para ele, seria mais eficiente investir nas empresas com problemas, injetando capital e recebendo ações em troca. Algo que o governo de certa forma já fez com algumas empresas desde o começo da crise.

Quais são os outros principais pontos de discórdia?

Desde que o plano foi apresentado, uma das primeiras críticas foi a de que muito poder ficaria concentrado na mão do secretário do Tesouro Henry Paulson. Políticos de todos os matizes defendem que haja uma supervisão externa sobre como os fundos serão gastos e geridos.

O pagamento de executivos de empresas ajudadas também entrou no debate. Os democratas, por exemplo, defenderam desde o primeiro anúncio que fosse criado um limite sobre o ganho dos executivos que trabalham nas companhias com problemas.

Outro ponto de polêmica é se o plano deve ajudar diretamente àqueles que têm hipotecas e estão tendo problemas para pagá-las e não se concentrar apenas em ajudar os bancos.

 
 
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