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Atualizado às: 13 de outubro, 2008 - 07h43 GMT (04h43 Brasília)
 
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Com crise, FMI vira 'campeão de audiência'
 

 
 
O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn
A crise trouxe o FMI de volta ao noticiário
Suas entrevistas coletivas nunca foram tão disputadas. Declarações de seus dirigentes foram estampadas em manchetes de inúmeras publicações mundiais. E, de quebra, o presidente americano ainda deu o ar de sua graça na sede da organização.

Há anos que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a reunião semestral do órgão juntamente com o Banco Mundial não recebiam tanto destaque por parte da imprensa mundial e mesmo da comunidade internacional.

Após muitos países em desenvolvimento terem saldado suas dívidas junto ao FMI, e o órgão ter falhado em ter antecipado a turbulência gerada no setor imobiliário americano, muitos julgaram que o Fundo havia perdido sua relevância.

Mas a pior crise econômica a atingir as finanças globais desde a Grande Depressão fez o órgão retomar parte das atenções e do respeito que impunha na década de 80, quando ganhou fama pelas duras políticas econômicas que receitava para nações emergentes.

No encontro realizado nesta semana, a cobertura do evento esteve longe de se limitar às publicações tradicionalmente voltadas para as finanças, como Financial Times e The Wall Street Journal.

As entrevistas do diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, e as exposições relativas aos extensos e detalhados relatórios feitos pelo órgão sobre a situação financeira mundial contaram, por exemplo, com a presença de representantes de grandes emissoras americanas, como a rede CBS, e a uma das maiores revistas semanais do país, a Newsweek.

Bush e manchetes

Por conta de seu encontro semestral, o órgão já iria receber os ministros das Finanças do G7, mas neste ano em especial, todos queriam ouvir quais seriam as propostas defendidas pelos expoentes das maiores economias mundiais, e, aproveitando a viagem, ainda conferir os vaticínios dos especialistas do Fundo.

No mesmo dia em que o presidente George W. Bush aparecia na sede do Fundo para participar da reunião do G20, o bloco reunindo as principais economias emergentes bem como as nações mais ricas do mundo, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmava que o sistema financeiro ''estava prestes a derreter'' - frase que em poucas horas ganhava as manchetes de emissoras de TVs americanas e agências de notícias mundiais.

As emissoras de TVs americanas, como CNN, CBS e até a popularesca Fox, que normalmente davam mais destaque aos bloqueios de ruas promovidos por medidas de segurança durante a reunião do Fundo, neste ano, destacavam os temas sendo discutidos nas reuniões do órgão.

A emissora France 24 chegou mesmo a montar um estúdio improvisado do lado de fora do local onde eram realizadas as entrevistas coletivas realizadas ao longo da reunião.

15 minutos de fama

Diante da súbita presença do FMI nos holofotes da mídia, alguns aproveitaram a ocasião para tentar conquistar seus 15 minutos de fama.

Na sexta-feira, um manifestante passeava pelos arredores do FMI com uma bicicleta cor-de-rosa estampada com o símbolo da paz e um emblema da campanha de Barack Obama e fotocópias de notas de dólar saindo de seu bolso. Ele ostentava ainda uma cabeça feita de papel machê, reproduzindo o rosto do secretário Henry Paulson.

O ativista gritava para os passantes e, em especial, para as câmeras: ''Me dêem seu dinheiro, o seu dinheiro é o meu dinheiro''.

Outros manifestantes, no fim de semana, protestavam contra o pacote bilionário do governo americano e distribuíam panfletos criticando o projeto.

Um segurança que atuava na portaria do FMI aproveitou para manifestar seu descontentamento com a atual situação econômica e com o que julgou ser um erro estratégico por parte dos ativistas:

''Eles estão entregando panfletos aqui? Esses caras tinham é que distribuir panfletos lá na Casa Branca.''

 
 
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