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Atualizado às: 15 de outubro, 2008 - 22h11 GMT (19h11 Brasília)
 
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'Mito' da falta de sono é preguiça intelectual, diz especialista
 
mulher dormindo
Horne diz que 'não é necessário' dormir a mais no fim de semana
Um especialista britânico em sono afirmou à revista científica New Scientist que o "mito" de que a sociedade atual sofre de deficiência do sono é uma atitude intelectualmente preguiçosa e contribui para a ansiedade das pessoas que acreditam ser preciso passar mais horas na cama.

Em artigo publicado na edição semanal da revista, Jim Horne, diretor do Centro de Pesquisas do Sono da Universidade de Loughborough, diz que, ao longo dos últimos 40 anos, vários estudos mostraram que a maioria dos adultos saudáveis dorme entre sete e sete horas e meia por noite, um tempo, segundo ele, "perfeitamente adequado".

"O 'fato' de que, no passado, as pessoas costumavam dormir nove horas por noite é um mito", afirma o pesquisador. "O número surgiu de um estudo americano que afirmou que, em média, as pessoas dormiam nove horas por noite, mas a pesquisa incluía apenas crianças de 8 a 17 anos, e não adultos."

Segundo Horne, a idéia de que a sociedade moderna sofre da falta de sono tem sido disseminada por estudos de laboratório em que os participantes vão para uma sala silenciosa com luz baixa e são induzidos a relaxar, fechar os olhos e dormir.

"Tais testes dizem revelar que as pessoas dormem profundamente nessas ocasiões, mas, como ocorrem em condições altamente propícias, tendem a estender o período que as pessoas dormem, passando a idéia de que precisam de mais horas de sono", diz o especialista.

Produtividade

De acordo com o pesquisador, outro argumento que tenta dar fundamento à teoria da privação crônica do sono diz que as pessoas tendem a dormir mais nos fins de semana ou nas férias para compensar o sono acumulado durante a semana.

"Não é só porque dormimos além das horas habituais no sábado e no domingo que precisamos de horas extras de sono", afirma o britânico.

"Nós já comemos e bebemos além das nossas necessidades biológicas. Por que não faríamos o mesmo com o sono?", indaga Horne.

O especialista cita um estudo realizado por sua equipe recentemente em que a deficiência de sono foi investigada em 11 mil adultos. Os pesquisadores verificaram que metade dos entrevistados tinha um déficit de sono equivalente a 25 minutos por noite.

Para medir a determinação dos participantes em compensar a falta de sono, a equipe de Horne perguntou o que fariam se tivessem uma hora a mais por dia.

Apenas um pequeno grupo de pessoas respondeu que usaria o tempo extra para dormir. A maioria disse que preferia se socializar, praticar exercícios físicos, ler ou assistir à televisão.

"Não deveríamos nos preocupar tanto com a falta de sono e entender que talvez nunca tenhamos dormido tão bem como atualmente", diz o especialista.

"Em vez de aumentar nossas horas na cama, poderíamos usar as horas em que estamos despertos para fazer algo mais produtivo", conclui Horne.

 
 
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