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Atualizado às: 30 de novembro, 2008 - 16h32 GMT (14h32 Brasília)
 
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Cidade na Nigéria continua tensa após confrontos
 
Soldados patrulham as ruas de Jos (29.11)
Os soldados têm ordens para atirar em quem causar tumulto
Tiroteios esporádicos têm sido ouvidos na cidade de Jos, na Nigéria, onde centenas de pessoas teriam morrido em dois dias de violentos confrontos étnicos e religiosos.

Uma testemunha contou à BBC que mais 10 pessoas foram mortas neste domingo, mas um porta-voz da Cruz Vermelha disse que a situação está bem mais calma graças aos soldados que estão patrulhando as ruas.

A comunidade muçulmana começou a enterrar seus mortos, enquanto que os cristãos aindam contam suas vítimas.

A violência foi gerada por uma acusação de que houve fraude na eleição estadual de Plateau - cuja capital é Jos - vencida pelo Partido Democrático do Povo, que tem largo apoio cristão.

A polícia e o Exército nigerianos continuavam patrulhando as ruas neste domingo com ordens de atirar em pessoas que causassem tumulto.

Jos tem sido palco de vários episódios de violência entre as comunidades da região, com o mais fatal deles tendo acontecido em 2001, quando mais de mil pessoas foram mortas.

Nas orações deste domingo no Vaticano, o papa Bento 16 fez uma menção às vítimas da Nigéria e fez um apelo ao mundo para que expresse "horror e reprovação" em relação à violência sem sentido.

Ataques com facões

Os confrontos começaram na sexta-feira, pouco tempo após o Partido Democrático do Povo ter sido declarado vitorioso nas eleições.

O resultado foi contestado pelo Partido de Todo o Povo da Nigéria, que é formado basicamente por muçulmanos.

Grupos de homens das duas comunidades tomaram as ruas de Jos, armados com facões.

Casas, mesquitas e igrejas foram queimadas e os mortos muçulmanos foram levados à mesquita central.

De acordo com o imã local, havia centenas de corpos.

Ainda não se sabe quantos morreram entre os outros grupos étnicos envolvidos nos confrontos, cujos mortos foram levados aos necrotérios da cidade.

Segundo o correspondente da BBC em Lagos, Alex Last, enquanto que a violência étnica e religiosa fez milhares de vítimas na Nigéria nos últimos anos, o motivo mais comum dos confrontos é a luta por recursos.

E na Nigéria, um cargo político é talvez o recurso mais poderoso de todos, já que dá a seu detentor acesso a parte dos imensos rendimentos do país com o petróleo, acrescenta o correspondente.

 
 
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