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Atualizado às: 11 de dezembro, 2008 - 10h46 GMT (08h46 Brasília)
 
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Menino de 11 anos é primeiro brasileiro no coral do Vaticano
 

 
 
José Carlos Ferrari Neto (Foto: Arquivo pessoal)
Neto enfrentou quase um ano de testes para entrar no coro
A Missa do Galo deste ano, celebrada pelo papa Bento 16, vai contar pela primeira vez com a participação de um brasileiro no coral.

José Carlos Ferrari Neto, de 11 anos, conseguiu integrar o Coro Capela Sistina do Vaticano, um dos mais antigos e respeitados do mundo, depois de uma rigorosa seleção que durou quase um ano.

“Durante os testes, nos ‘vocalises’, ele ultrapassou o limite de agudo exigido, graças a uma extensão vocal privilegiada“, disse à BBC Brasil José Carlos Ferrari Júnior, pai do soprano.

A prova, realizada nas paróquias católicas por toda a Itália, contou ainda com testes de canto e percepção musical, além de exames de fonoaudiologia em busca de algum problema de dicção.

Rotina

Nascido em Fortaleza (CE), “Neto”, como o cantor é chamado em casa, se mudou com a família para Bari, na Itália, em 2006. O pai é regente de coral e pianista, e havia sido convidado para um intercâmbio no país.

“Foi nesta época que percebi que meu filho tinha talento para ingressar no coral do Vaticano”, conta Ferrari Júnior. “Preparamos um repertório de quatro músicas, em português, inglês, italiano e francês, para apresentar nos exames.”

José Carlos Ferrari Neto no coro (Foto: Arquivo pessoal)
Brasileiro já se apresentou na Itália e na Alemanha com o coral

Neto estudava o repertório nas horas vagas do curso de musica no Conservatório de Bari. Quando foi aprovado na Escola da Capela Sistina, a família se mudou para a periferia de Roma.

A rotina puxada incluia aulas aos sábados e disciplinas escolares regulares, além das musicais.

Afastamento

O Coro da Capela Sistina é formado por 20 adultos e 35 crianças. Na adolescência, por causa da mudança de voz, os integrantes são afastados, mas continuam a estudar na mesma escola. Depois de crescidos, eles se submetem a novos testes para permanecer no coral. “Acho que fico até os 14 anos e espero poder continuar depois”, aposta Neto.

Ele não é o único estrangeiro no grupo: crianças de Filipinas, Japão, Polônia, África do Sul, Rússia e Inglaterra também integram o coral. Elas conversam entre si em italiano e brincam juntas nas poucas horas de folga.

Antes de subir ao palco, Neto cumpre uma pequena liturgia: “Eu e todos não devemos comer nada, pois não podemos correr o risco de passar mal e interromper o concerto”, afirma ele.

O brasileiro já participou de apresentações na Itália e na Alemanha. Mas o principal evento ainda está por vir: o de cantar para bilhões de pessoas na noite de Natal, de dentro da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Neto diz que está cada vez mais afinado para fazer bonito diante do papa e do mundo católico. “A gente ensaia muito, não tem como errar e nem ficar nervoso”, disse.

 
 
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