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Atualizado às: 24 de dezembro, 2008 - 03h31 GMT (01h31 Brasília)
 
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Brasil compra da França helicópteros e submarinos
 

 
 
Lula e Sarkozy no Rio de Janeiro
Acordos são parte do plano brasileiro para modernizar Forças Armadas
O governo brasileiro assinou com a França, nesta terça-feira, acordos que prevêem a aquisição de 50 helicópteros e cinco submarinos, a serem construídos em parceria com empresas e a Marinha brasileiras.

Os acordos fazem parte do plano do governo brasileiro de modernizar as Forças Armadas, seguindo a Estratégia Nacional de Defesa, lançada na última quinta-feira. Segundo o Palácio do Planalto, a França foi escolhida por permitir que o conhecimento tecnológico seja transferido para a indústria local.

Segundo estimativas não oficiais publicadas pela imprensa francesa, o negócio seria de R$ 28 bilhões (8,6 bilhões de euros) para um período que deve passar de duas décadas. Esse número não foi confirmado pelo governo brasileiro. Segundo o ministro da Defesa Nelson Jobim, apenas o valor da compra dos helicópteros, de R$ 5,9 bilhões (1,8 bilhão de euros), está confirmado.

Do valor total, ainda segundo as fontes citadas pela imprensa francesa, a maior parte do dinheiro, cerca de R$ 19,8 bilhões (6 bilhões de euros) iria para empresas francesas e o restante, para empresas brasileiras que devem trabalhar em conjunto com os franceses, especialmente na construção dos submarinos.

'Brasil forte'

Esse é o segundo grande contrato no setor de Defesa assinado pelo Brasil em menos de um mês. No final de novembro, durante a visita do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o governo oficializou a compra de 12 helicópteros produzidos naquele país.

Segundo o ministro da Defesa brasileiro, outros três acordos estão em estudo com a França. Além da licitação para compra de novos caças, da qual a França é uma das concorrentes, o governo brasileiro estuda a possibilidade de desenvolver projetos conjuntos para treinamento de tropas brasileiras e monitoramento do território brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil “precisa assumir sua grandeza” e que precisa investir em sua capacidade militar. “Não pensando em atacar, mas em se defender”, disse.

“Um Brasil poderoso será elemento de estabilidade para o mundo”, disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Jobim disse que a frota de helicópteros deverá ficar pronta no segundo semestre de 2010. A montagem será feita em Minas Gerais, na fábrica da Helibras, empresa subsidiária da francesa Eurocopter.

A França também vai auxiliar a Marinha brasileira na construção de quatro submarinos convencionais e um quinto, movido a energia nuclear. Também foi assinado um acordo para a construção de um estaleiro e de uma base navais, que deverá ficar pronto em quatro anos. A entrega do primeiro submarino está prevista para daqui a 20 anos.

“A tecnologia nuclear está totalmente dominada. Agora vamos completar nosso programa nuclear com um reator, que será produzido especificamente para o submarino”, disse o almirante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto.

De acordo com Neto, o planejamento da Marinha para o monitoramento da costa brasileira exige 12 submarinos convencionais. “Já temos cinco e estamos adquirindo mais quatro, somando nove. No pacote atual, quatro já é um número razoável”, disse.

Imigração

Além de questões relacionadas à defesa, os dois presidentes também discutiram a questão de imigração. Sarkozy disse que a Europa “continua aberta” aos imigrantes e que o continente é o “mais aberto do mundo”.

A resposta foi dada a uma jornalista francesa, que questionou o pacto assinado em outubro, entre os países do bloco. Conhecido como Imigração Seletiva, o acordo prevê maior restrição à entrada de imigrantes que não se enquadrarem a determinadas condições.

“Queremos receber mais estudantes, cientistas, chefes de empresa. O que não concordamos é com as redes que exploram a miséria no mundo”, disse o presidente francês, logo após a cerimônia para assinatura de acordos bilaterais com o Brasil, no Rio de Janeiro.

Ele disse, no entanto, que a imigração é “um assunto sensível em qualquer lugar do mundo”, e que conversou “longamente” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tema.

Sarkozy disse que a União Européia tem características que exigem uma política de imigração mais específica. O presidente referia-se ao fato de o bloco permitir o livre acesso entre 27 países.

“Quem recebe esse imigrante o recebe em outros países. A pessoa pode passar livremente de um país a outro”, disse o líder francês.

O presidente Lula disse que, durante reunião ontem com Sarkozy e com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, reivindicou a criação de um “diálogo de alto nível” entre Brasil e União Européia, para resolver possíveis problemas relativos a imigração.

“Tivemos problemas com a Espanha e resolvemos”, disse o presidente brasileiro.

Segundo Lula, “é necessário que se compreenda que o tema tem dimensões políticas diferenciadas, dependendo do país e do momento”. Para o presidente brasileiro, a questão ganha dimensão maior em época de crise econômica.

“Como se trata do direito de ir e vir, dos direitos humanos, o importante é que a gente não perca de vista a necessidade de manter um diálogo de alto nível, para resolver os problemas caso a caso”.

 
 
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