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Atualizado às: 30 de dezembro, 2008 - 23h55 GMT (21h55 Brasília)
 
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Em Gaza, palestinos sofrem com ataques israelenses
 

 
 
Funeral de cinco das irmãs Baloosha em Gaza (29 de dezembro)
Funeral de cinco das irmãs Baloosha em Gaza no dias 29 de dezembro

"Eu estava dormindo com minhas irmãs quando de repente acordei", conta Reem Baloosha, de 13 anos, descrevendo a noite do último domingo, quando suas cinco irmãs foram mortas por um ataque aéreo israelense.

“Eu me vi sob escombros, as pedras me pressionando. Olhei em volta e minha irmã também estava sob os escombros, ela estava morta”.

Eu visitei a família de Reem no campo de refugiados de Jabaliya, ao norte da Faixa de Gaza. A casa onde eles viviam se tornou uma pilha de escombros. Não havia nada além de poeira e pedras misturadas com algumas roupas de meninas e livros escolares.

Não sobraram para os pais nem mesmo fotografias das filhas mortas, todas elas foram perdidas em meio aos escombros.

O pai delas, Anwar, estava sentado velando as meninas. A mãe delas estava em estado de choque, quase sem consciência. Eles pareciam muito chocados até mesmo para chorar.

“Se elas estivessem construindo foguetes (para atacar Israel), eu não estaria tão triste assim, mas elas estavam esperando pela volta da luz elétrica para estudar para os exames. Eu tenho oito filhas, cinco delas foram mortas”, diz Anwar Baloosha.

Janelas quebradas

Pessoas no hospital Shifa, na Cidade de Gaza, sentiam o mesmo sofrimento.

Há muitos jovens feridos nos ataques, pessoas que perderam partes de seus braços ou pernas ou que estão ligadas a tubos de soro, mas que não podem ser removidas para unidades de tratamento intensivo.

Centenas de pessoas chegam ao local para visitar seus parentes. Algumas passam a noite no hospital, dormindo no chão, em cadeiras, ou simplesmente ficando sem dormir. Se você olhar em seus olhos, perceberá que alguns não dormem há dias.

Na noite de segunda-feira, fazia bastante frio e uma chuva forte caía sobre a Cidade de Gaza. Algumas das janelas do hospital estavam danificadas e haviam sido cobertas com plástico, folhas ou estavam simplesmente abertas.

Não havia aquecimento. A equipe do hospital apenas cobria os pacientes com folhas e cobertores.

Eu também estive na parte oeste da cidade. Havia uma grande fila fora de uma padaria. Crianças, homens e mulheres estavam esperando por pão.

Alguma ajuda humanitária chegou à região, mas muitas pessoas não têm farinha ou gás de cozinha para poder fazer pães em casa.

Hossein Saad, de 56 anos, conta que há alguns anos ele costumava trabalhar em Israel, mas que agora não tem emprego para sustentar as 13 pessoas de sua casa.

“Eu não tenho farinha ou gás, eu não tenho nada em casa”, conta.

“Antes que você pergunte sobre o que há para comprar em Gaza, pergunte se as pessoas têm dinheiro ou não para comprar alguma coisa”, diz Saad.

Trovões

Na manhã em que eu estive na praça central da Cidade de Gaza, que normalmente fica cheia de pessoas e carros de todas as partes da região, ela estava silenciosa.

Havia apenas umas poucas barracas vendendo carne enlatada e queijo, além de lamparinas a gasolina.

Mostaja Abbas, 55, que foi à praça para comprar um novo pavio para sua lamparina, contou que os doze membros de sua família passaram os últimos dias apertados em um único cômodo da casa.

“Achamos que esta é a área mais segura, longe das janelas. Nunca vimos uma situação como esta em toda a história dos palestinos”, ele diz.

Ayman Atalla, de 38 anos, pai de três crianças, afirma estar temeroso de sair às ruas da cidade.

“Por dias eu não saí de casa. Nós não podemos prever onde será o próximo ataque e eu posso ser atingido por um deles”.

Ele conta que disse a seus filhos que estava chovendo durante os ataques da última segunda-feira.

“Eu falava para eles que eram apenas trovões, para não ficarem preocupados, não terem medo”, conta.

Israel atualmente não permite que jornalistas estrangeiros cruzem a fronteira de Gaza.

 
 
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