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Atualizado às: 30 de dezembro, 2008 - 17h34 GMT (15h34 Brasília)
 
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Bombardeio 'é a 1ª de várias fases', diz premiê de Israel
 
Faixa de Gaza
UE quer criar corredor humanitário para ajudar população de Gaza
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse nesta terça-feira que o bombardeio de alvos na Faixa de Gaza é apenas "a primeira de várias etapas" na operação israelense na região, iniciada no sábado.

Prédios do governo do território, controlado pelo movimento palestino Hamas, e instalações de segurança continuaram sendo os principais alvos neste quarto dia de ataque.

Fontes médicas palestinas dizem o número de palestinos mortos na ofensiva israelense já passa de 360, e cerca de 800 ficaram feridos. A situação nos hospitais da região foi classificada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha como "caótica", com os grupos de auxílio médico "pressionados ao seu limite".

Por outro lado, pelo menos quatro israelenses morreram também desde sábado em ataques palestinos com foguetes contra o território palestino.

Segundo um jornalista da BBC na Cidade de Gaza, houve pelo menos 25 ataques israelenses na Faixa de Gaza nas últimas horas.

Simultaneamente, forças terrestres israelenses continuam se agrupando na fronteira com Gaza, indicando que uma fase terrestre da ofensiva pode vir a seguir.

Reforçando a declaração de Olmert, o vice-ministro da Defesa israelense, Matan Vilnai, disse que o país “fez preparativos para longas semanas de ação”.

Reação palestina

O braço armado do Hamas advertiu em uma mensagem divulgada pela TV que Israel poderá ser alvo de ataques com foguetes de alcance inédito dentro do território israelense.

“Nós dizemos aos líderes inimigos – se vocês continuarem a nos agredir, nós vamos atingir com nossos foguetes além do que atingimos até agora”, disse um porta-voz das Brigadas Ezzedine Al-Qassam, indicando que cidades distantes da Faixa de Gaza podem ser atacadas.

“Se vocês pensam que o Hamas e o Al-Qassam serão esmagados, nós iremos nos erguer dos escombros.”

Um destacado membro da facção palestina rival, Fatah do Hamas, Ibrahim Abu Naja, exigiu ação dos governos árabes.

"Parem de observar com indiferença, parem de se gabar, parem com seus discursos", afirmou Abu Naja. "Vocês têm as suas armas, vocês têm os seus mísseis, vocês têm o que quer que se gabam ter, enquanto nós estamos pagando o preço."

UE e ONU

Ministros do Exterior dos países da União Européia (UE) tem nesta terça-feira uma reunião para discutir a situação em Gaza, em meio a informações de que a França teria feito um apelo a Israel para que declarasse uma trégua.

Um comunicado divulgado pela UE antes da reunião manifesta preocupação com a situação vivida pelos civis e diz que a prioridade do bloco é obter um cessar-fogo e garantir o envio de ajuda a Gaza.

A ONU está pedindo uma investigação dos ataques.

Na segunda-feira, o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, pediu que tanto Israel como o Hamas interrompam a violência e tomem todas as medidas necessárias para evitar mortes de civis.

Um relator da ONU para os territórios palestinos acusou Israel de cometer "atrocidades chocantes".

Richard Falk disse que a comunidade internacional precisa pressionar mais Israel para por fim aos ataques na Faixa de Gaza.

"Israel está cometendo uma série chocante de atrocidades ao usar armamento moderno contra uma população indefesa - atacando uma população que vem enfrentando um bloqueio rigoroso há vários meses", afirmou Falk em entrevista à BBC.

Segundo a ONU, pelo menos 62 dos palestinos mortos até agora eram mulheres e crianças.

Estados Unidos e Brasil

O governo dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, anunciou nesta terça-feira que irá doar US$ 85 milhões para a agência da ONU que dá ajuda aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, no Líbano e na Síria.

Washington apoia a ofensiva israelense e declarou na segunda-feira que cabe ao Hamas acabar com a violência e se comprometer com uma trégua.

"Os Estados Unidos entendem que Israel precisa tomar atitudes para se defender", disse o porta-voz do governo americano Gordon Johndroe.

"Para que a violência pare, o Hamas precisa parar de lançar foguetes contra Israel e concordar em respeitar um cessar-fogo durável."

Em uma nota divulgada na segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil "deplorou" a continuidade dos conflitos em Gaza e chamou a reação do governo israelense na região de "desproporcional", além de pedir que ambas as partes cessem os atos de hostilidade mútua.

"O governo brasileiro deplora a continuidade das ações desproporcionais do governo de Israel na região da Faixa de Gaza, que já causaram, em apenas três dias, a morte de mais de 300 palestinos, muitos dos quais civis e crianças", diz o comunicado.


 
 
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