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Atualizado às: 27 de janeiro, 2009 - 10h49 GMT (08h49 Brasília)
 
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Obama diz que EUA não são inimigos do mundo islâmico
 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e George Mitchell (AP)
Obama disse que Mitchell deve primeiro 'escutar' no Oriente Médio
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao povo do mundo islâmico que os americanos não são seus inimigos, em entrevista à rede de TV Al-Arabiya, sediada em Dubai.

"Meu trabalho é comunicar ao povo americano que o mundo islâmico é cheio de pessoas extraordinárias que apenas querem viver suas vidas e ver seus filhos viverem uma vida melhor. Meu trabalho para o mundo islâmico é comunicar que os americanos não são seus inimigos", afirmou.

Obama admitiu que os Estados Unidos às vezes cometeram erros.

A entrevista foi exibida na véspera da viagem do emissário do presidente americano, George Mitchell, para o Oriente Médio. Mitchell deve visitar o Egito, Israel, a Cisjordânia e a Arábia Saudita.

O presidente americano afirmou que o emissário vai começar a missão escutando as demandas das partes envolvidas no conflito antes que os Estados Unidos possam elaborar uma resposta à questão.

"Eu disse a ele (George Mitchell) para começar escutando. Muitas vezes, os Estados Unidos começam dando ordens, mas nós não sabemos todos os fatores envolvidos. Então, vamos ouvir. Ele vai falar com todas as grandes partes envolvidas e me dar um retorno para que possamos formular uma resposta específica", disse Obama.

Faixa de Gaza

O enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, deve chegar nesta terça-feira ao Egito para discutir o conflito entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza.

Mitchell, que foi apontado como o mais alto representante diplomático no Oriente Médio por Obama na semana passada, deve se encontrar com o presidente egípcio Hosni Mubarak para discutir um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza.

O Egito tem sido o principal negociador de tréguas entre palestinos e israelenses, assim como entre as facções palestinas Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e o Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Antes que Mitchell embarcasse, o presidente Obama pediu, nesta segunda-feira, que ele agisse "vigorosamente" para buscar progressos na região.

"Quando eu digo progresso, quero dizer não apenas oportunidades para tirar fotos, mas progresso que possa ser sentido de maneira concreta pelas pessoas, para que elas se sintam mais seguras sobre suas vidas. Para que sintam que os sonhos e aspirações de seus filhos podem ser alcançados. Esta será nossa tarefa”" disse Obama na Casa Branca, depois de um encontro com Mitchell.

Irã

Durante a entrevista, o presidente dos Estados Unidos ainda afirmou que o Irã "agiu de um modo que não conduz à paz e à prosperidade da região", mas não descartou a hipótese de dialogar com o país.

"Suas ameaças contra Israel, sua busca por uma arma nuclear e seu apoio a organizações terroristas, nada disso ajudou", disse.

"Mas eu acho que é importante que estejamos abertos para negociar com o Irã, para expressar de maneira clara nossas diferenças e descobrir os potenciais caminhos para o progresso. (...). Como eu disse em meu discurso de posse, se países como o Irã quiserem abrir seus punhos, encontrarão nossa mão estendida”, afirmou o presidente.

Em mais um sinal de que os Estados Unidos podem começar a mudar sua abordagem nas relações com o Irã, a embaixadora americana na Organização das Nações Unidas (ONU), Susan Rice, afirmou que buscará negociações diretas com o país.

Depois de um encontro com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em Nova York, nesta segunda-feira, Rice afirmou que buscará "uma diplomacia vigorosa, que inclui diplomacia direta, com o Irã" a respeito de seu programa nuclear.

Durante o mandato de George W. Bush, o governo americano não negociou diretamente com Teerã a respeito de seu programa de enriquecimento de urânio, que o país alega ter fins pacíficos.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, no entanto, afirmou que as declarações de Rice não devem ser interpretadas como uma nova iniciativa diplomática com relação ao país, mas que os EUA irão usar todos os elementos de seus "poder nacional" para resolver a questão do programa nuclear iraniano.

 
 
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