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Atualizado às: 30 de janeiro, 2009 - 11h46 GMT (09h46 Brasília)
 
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Japão tem queda histórica na indústria e mais 27 mil demissões
 

 
 
Cai produção industrial no Japão
Produção industrial caiu quase 10% em dezembro
O governo japonês anunciou que a produção industrial em dezembro de 2008 teve uma queda histórica de 9,6% em relação ao mês anterior. Segundo o ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, esta foi a maior contração já registrada desde 1953, quando o levantamento começou a ser feito pelo governo.

As más notícias na segunda maior economia do mundo vieram também do mercado de trabalho. Em dezembro, o índice de desemprego teve um aumento de 0,5 ponto percentual, e chegou a 4,4%. Segundo o Ministerio de Assuntos Internos e Comunicações, este é o maior aumento mensal no índice desde março de 1967.

A situação tende a piorar com a notícia de que grandes empresas continuam planejando cortes. Nesta sexta-feira, a NEC, maior fabricante de computadores do Japão, anunciou a demissão de 20 mil funcionários até março de 2010, e a Hitachi disse que vai cortar 7 mil empregos nas fábricas de eletrônicos e de equipamentos para veículos.

“É uma situação sem precedentes e a queda na produção industrial parece que vai continuar”, admitiu à imprensa local o ministro japonês para Políticas Econômicas e Fiscais, Kaoru Yosano.

Exportações em baixa

A produção industrial já vinha caindo. Em novembro, a queda foi de 8,5%.

No acumulado do ano, o país também registrou contração pela primeira vez em seis anos. Em 2008, houve uma queda na produção de 3,4% em comparação com 2007.

Desde 1998, o Japão não registrava diminuição da produção industrial em todos os setores. Um dos mais afetados foi o de eletrônicos, que caiu 18,8%.

Segundo o relatório, divulgado nesta sexta-feira pelo governo, o culpado por esta queda é a valorização do iene. Por causa do fortalecimento da moeda japonesa, as grandes empresas viram os lucros despencarem nos últimos meses de 2008.

A Sony, por exemplo, terá sua primeira perda de lucros em 14 anos. Até o fim do ano fiscal de 2008, que se encerra em março próximo, a fabricante de eletrônicos prevê uma perda operacional de US$ 2,91 bilhões e uma perda líquida de US$ 1,68 bilhão.

Para se manter no mercado, a Sony anunciou cortes de 16 mil funcionários no mundo todo e o fechamento de cinco ou seis fábricas.

A previsão do ministério da Economia também é pessimista para os meses de janeiro e fevereiro. A estimativa é de queda na produção industrial de 9,1% e 4,7%, respectivamente.

Mais desemprego

O índice de desemprego também deve continuar subindo. O de dezembro (4,4%), por exemplo, já foi maior do que o esperado pelo mercado, que previa um aumento para 4,1%.

No total, o Japão possui hoje cerca de 2,7 milhões de pessoas sem emprego, um aumento anual de 390 mil desempregados. No acumulado do ano, o índice ficou em 4%, um acréscimo de 0,1 ponto em relação ao ano anterior. Segundo o governo, é o primeiro aumento em seis anos.

Governo na berlinda

Desesperado com a situação, o impopular governo de Taro Aso tenta buscar saídas para conter a crise. Nesta semana, foi anunciado que o Japão injetará fundos públicos em empresas privadas, especialmente aquelas afetadas pela crise, através de entidades de crédito.

Esses recursos serão usados para cobrir até 80% das possíveis perdas que os bancos japoneses possam registrar.

Além disso, foi aprovado também nesta semana pelo parlamento um pacote emergencial, que prevê a distribuição de um subsídio às famílias japonesas no valor de 12 mil ienes (cerca de 130 dólares) por pessoa. O objetivo é estimular a população a gastar.

A conta que será paga pelo governo com essa medida chega a US$ 22,5 bilhões, e ela não é vista com bons olhos pela oposição e nem por parte da população. Os críticos acham que o dinheiro poderia ser aproveitado em outras áreas.

A popularidade do primeiro-ministro, aliás, só despenca, mas ele se recusa a renunciar ao cargo ou a convocar novas eleições. Uma pesquisa do jornal Mainichi, divulgada recentemente, mostra que 65% dos japoneses desaprovam a performance do premiê. Em dezembro, a taxa era de 58%.

 
 
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