A 'ilha' que só helicópteros e pedestres conseguem alcançar

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Image caption A aldeia é cercada por imensos paredões

No centro das Ilhas Reunião, uma pequena possessão francesa no oceano Índico, encontra-se uma outra espécie de "ilha". Esta, ainda mais isolada.

Formada após o colapso de um vulcão há 3 milhões de anos, o Círculo de Mafate é separado do resto de Reunião por imensos paredões rochosos, montanhas impressionantes e uma densa floresta tropical.

A única maneira de sair deste vale em forma de anfiteatro é a pé - ou de helicóptero.

Unesco

Os primeiros habitantes chegaram à cratera vulcânica no século 18. Essa primeira leva era composta de escravos fugitivos. Mais tarde vieram fazendeiros franceses empobrecidos pelo efeito do fim da escravidão em suas plantações. Por gerações, eles e seus descendentes viveram isolados do mundo.

Mafate hoje tem menos de 800 habitantes. Eles vivem em pequenas aldeias chamadas îlets. Praticamente todos os moradores são descendentes dos colonos originais e cada aldeia não tem mais do que dois ou três casebres com teto de zinco.

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Image caption Mafate é tão remota que suprimentos precisam chegar de helicóptero

Não há eletricidade ou água encanada no vale de aproximadamente 100 km. Médicos, policiais e outros profissionais, quando necessários no local, fazem de longas caminhadas para chegar lá ou viajam em aeronaves de emergência.

Em 2010, a Unesco deu a Mafate status de patrimônio cultural da humanidade, uma decisão que criou um fluxo de turistas - Reunião é mais conhecida pelos surfistas. Visitantes têm acesso a vistas deslumbrantes, florestas, planícies e rios selvagens, além de uma rica cultura local.

Assim como o arquipélago de Galápagos, no oceano Pacífico, a Reunião tem uma profusão de fauna e flora exclusiva. E Mafate é um dos poucos lugares do mundo em que há um ecossistema desenvolvido ao longo de milhões de anos em relativo isolamento. O vale tem uma série de pássaros, insetos e plantas só encontrados por lá.

Felizmente, caminhar - basicamente a única opção disponível para visitantes - é a melhor maneira de conhecer Mafate. No entanto, as centenas de quilômetros de trilhas não são para gente inexperiente ou que sofre de vertigem. Não devem ser percorridas sem companhia.

O vale é acessível por uma série de rotas, algumas lidando por passagens montanhosas para lá de íngremes, e que funcionam como "estradas".

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Image caption La Nouvelle está no centro de Mafate

As trilhas só não são tediosas: vistas deslumbrantes se alternam com passagens por mata densa e rios cuja água não raramente chega à cintura. Fica a impressão de que o caminhante cruza cenas geográficas diferentes.

Placas no caminho descrevem o tempo de percurso de um lugar ao outro em vez da distância.

As pessoas são uma atração à parte. São abertas e diretas, algo que vem da necessidade de contar com a comunidade. Ninguém tranca as portas.

O epicentro turístico de Mafate é La Nouvelle, a maior îlet do do vale. Grandes placas amarelas anunciam a venda de sanduíches e bebidas e, em algumas barracas vendendo de tudo, a música vinha a todo volume dos alto-falantes. Crianças descalças se aproximam dos viajantes e oferecem informações.

Visitar Mafate é como viajar no tempo.

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