Em imagens: A 'inundação' de flores no deserto mais quente do mundo

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Image caption Vale da Morte atrai cerca de 1 milhão de visitantes por ano, vindos de todo o mundo

O deserto mais quente do mundo foi inundado de flores. Amplas faixas amarelas forraram o solo normalmente árido, com brotos se erguendo altos e com pétalas vívidas que irradiam a luz da manhã. Com nomes como “esteira roxa” ou “fantasma de cascalho”, eles pontilharam o cenário com fúcsias e brancos etéreos.

Essa superfloração de espécies silvestres ocorre, em média, uma vez a cada década no Parque Nacional do Vale da Morte, o maior do território contíguo dos Estados Unidos.

O local atrai cerca de 1 milhão de visitantes por ano, vindos de todo o mundo. Mas raramente turistas fazem uma viagem “bate-e-volta” ao parque, como uma família que dirigiu a noite inteira vinda do norte da Califórnia e que encontrei aqui, deslumbrando-se com a paisagem.

Este é o poder de um fenômeno que é, ao mesmo tempo, raro e passageiro.

Influência do El Niño

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Image caption Flores brotam de sementes que estavam 'adormecidas' durante anos no solo do deserto
Direito de imagem Tom Wittwer
Image caption Flores surgem quando fortes chuvas se seguem de temperaturas amenas, o que é raro

A receita para a superfloração no Vale da Morte parece simples: chuvas fortes, seguidas de temperaturas amenas e chuviscos mais leves.

Se fizer muito calor ou muito frio, se o vento estiver muito seco ou se não houver chuvas na medida certa, as flores podem surgir, mas não com a sincronia e a densidade de uma superfloração.

O maior obstáculo é que o Vale da Morte é o lugar mais seco de toda a América do Norte e o mais quente da Terra. Chuvas são raras – ao contrário do calor impiedoso.

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Image caption Últimas superflorações no Vale da Morte ocorreram em 1998 e 2005
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Image caption Vale da Morte é o ponto mais seco da América do Norte e o mais quente do mundo

Assim como nas recentes superflorações de 1998 e 2005, o fenômeno deste ano é resultado da forte atividade do El Niño. Fortes chuvas caídas em outubro estimularam milhões de sementes que estavam “adormecidas” no solo havia anos.

O outono e o inverno trouxeram a quantidade certa de calor e de precipitações que propicia o brotamento em massa das mudas.

Se as condições climáticas se mantiverem, o Vale da Morte pode continuar florido durante todo o mês de março. Mas não há garantias no deserto.

Uma mudança rápida no clima pode tornar a paisagem árida novamente e transformar as flores em sementes que podem passar anos sem brotar.

Assim é a vida no Vale da Morte: árdua e breve.