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Um país de paixões políticas

Os processos eleitorais na Venezuela têm sido caracterizado por uma grande paixão política. Desde a eleição da Assembléia Constituinte de 1946 até o último plebiscito convocado para ratificar a atual Constituição do país, a grande maioria das mudanças políticas ocorridas na Venezuela foram feitas através das urnas, e em meio a intenso calor partidário.

Em 1948, um golpe militar derrubou o recém empossado governo de Rómulo Gallegos, e pôs fim a iniciativa de democratização do país liderada pela Acción Democrática (AD), que havia coseguido a maioria dos votos. Por dez anos o regime militar, comandado por Marcos Pérez Jiménez, ditou o rumo do país.

Em 1958 caiu o governo militar e os principais partidos políticos venezuelanos - Acción Democrática (AD); Comité de Organización Política Electoral Independiente (COPEI) e Unión Republicana Democrática (URD) - assinaram o chamado acordo de Punto Fijo, através do qual buscavam dar novo impulso ao processo democrático.

O candidato da AD, Rómulo Betancourt, venceu as eleições e deu início a um dos processos democráticos mais abrangentes da América Latina.

O governo de Betancourt se caracterizou por uma série de conflitos, tentativas de golpe de estado, surgimento da guerrilha e por divisões internas na Acción Democrática. Mas na sua gestão também foi iniciada a fase do multipartidarismo na Venezuela, fenômeno que se refletiu nas eleições de 1963. A AD foi a vencedora, elegendo Raúl Leoni para a presidência, e o COPEI saiu fortalecido obtendo o segundo lugar na votação.

As divisões internas na AD continuaram durante o mandato de Leoni, e nas eleições seguintes, em 1968, a AD sofria a primeira derrota desde a instauração do processo democrático. O COPEI elege Rafael Caldera para a presidência.

O governo de Caldera se caracterizou pela pacificação da guerrilha e sua assimilação no cenário político da Venezuela. Durante essa época a esquerda também se fraciona e surge o Movimiento al Socialismo (MAS).

As eleições de 1973 acabam polarizadas entre os dois maiores partidos surgindo a tendência do bipartidarismo político. Carlos Andrés Pérez conquista a presidência pela AD, deixando em segundo o candidato do COPEI, mas os dois partidos conseguem mais de 80 porcento dos votos.

Durante o governo de Carlos Andrés Pérez a AD foi sacudida por grande tensão política. A corrente política de Pérez teve que enfrentar a oposição dos partidários de Rómulo Betancourt, que estava engajado numa luta frontal contra a corrupção que segundo ele tinha se instaurado na última fase do governo da AD.

Em 1978, o COPEI volta ao governo pelas mãos de Luis Herrera Campins, apoiado inclusive por seu líder histórico Rafael Caldera, e o MAS começa a se consolidar como a terceira força política da Venezuela. Surgia pela primeira vez o voto do castigo, que foi aplicado contra a AD.

O governo de Herrera Campins se caracterizou pelo começo da crise econômica, iniciada em 1983 e se convertendo desde então numa constante na vida do país.

Nesta época a AD sofre importante baixa com a morte de Rómulo Betancourt, seu líder histórico. Começa assim uma grande luta interna no partido, travada entre o grupo renovador liderado por Carlos Andrés Pérez, contra os ortodoxos comandados agora por Jaime Luisinchi. Jaime consegue se impor como líder da AD e acaba sendo escolhido candidato do partido nas eleições presidenciais.

Os problemas econômicos, agravados pelo desgaste da briga pelo poder contra a AD, acabam prejudicando seriamente o COPEI. Nas eleições de 1983 Rafael Caldera é derrotado por larga margem por Jaime Luisinchi, que passa a ser o novo presidente da Venezuela.

Luisinchi fez um dos governos mais populares da história da democracia venezuelana. Ao final do mandato ele contava com cerca de 60 porcento de apoio popular.

Entretanto, os problemas sócio-econômicos do país não foram resolvidos e acabaram, inclusive, se agravando. Internamente a linha renovadora da AD consegue se impôr e Carlos Andrés Pérez se consolida como candidato do partido governante.

No COPEI, Rafael Caldera enfrenta a rebelião de seu vice líder, Eduardo Fernánde, que se impõe como candidato do partido.

Pérez vence as eleições favorecido pela popularidade do governo da Acción Democrática. Seu governo marca o início da onda de mudanças que a Venezuela passa a experimentar e também o começo da queda dos partidos políticos tradicionais. A abstenção eleitoral começa a atingir uma proporção preocupante. Em 1988, 20 porcento dos eleitores não comparecem às urnas.

As reforams que o governo tenta impor são violentamente rejeitadas, inclusive pelo próprio partido do governo. A crise social se agrava, reflexo dos vários saques e distúrbios populares ocorridos no país em 1989, e a ação das Forças Armadas na repressão de uma tentativa de levante popular.

As eleições locais de 89 e as seguintes, realizadas em 92, refletem o descrédito do povo na classe política. A abstenção atinge níveis históricos.

Em 1992 Hugo Chávez surge no cenário político com sua fracassada tentativa de golpe de estado. E os escândalos de corrupção se sucedem, envolvendo o governo de Carlos Andréz Péres, que perde apoio dentro do próprio partido. Em 1993, é aberto processo de impeachment e Pérez termina afastado da presidência.

As eleições desse ano são um claro reflexo da crise enfrentada pelos partidos tradicionais. Rafael Caldera é expulso do COPEI e decide organizar seus próprios comícios. Apoiado por uma coalizão heterogênea de partidos Caldera consegue uma pequena vantagem nas eleições.

Em 1998 os partidos tradicionais estão em franca crise, brilha a estrela de Hugo Chávez, que foi anistiado por Rafael Caldera. A AD e o COPEI resolvem parar de competir e passam e unem suas forças em torno da candidatura de Henrique Salas Romer.

Nas eleições de 98, Chávez, apoiado pelo seu partido, Movimiento y República, e por uma série de partidos menores, derrota por larga margem as forças tradicionais. A vitória de Chávez pôe fim a quatro décadas de domínio político dos chamados partidos tradicionais.

No governo, Chávez deu início imediatamente a chamada "revolução pacífica", que começou pela criação de uma nova Constituição. Há cisão também nas fileiras da coalizão governista e dessa divisão sai candidato Francisco Arias Cárdenas. As eleições de 30 de julho marcam uma nova etapa da história venezuelana.

     
       
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