Cresce pressão de países árabes sobre a Síria

Manifestação pró-Assad neste domingo em Damasco Direito de imagem Reuters
Image caption Presidente convocou manifestações pró-governo após suspensão da Liga Árabe

O governo da Síria está sob crescente pressão de outros países árabes para interromper a repressão violenta às manifestações pró-democracia dos últimos meses.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, afirmou neste domingo que a organização "estuda mecanismos que possam ser implementados para proteger os civis sírios".

No sábado, a Liga Árabe suspendeu a Síria do grupo, numa ação que provocou forte reação do governo do presidente Bashar al Assad, com a convocação de manifestações pró-governo em Damasco.

No início do ano, a suspensão da Líbia pela Liga Árabe persuadiu o Conselho de Segurança da ONU a autorizar a ação militar que ajudou a derrubar o regime do coronel Muamar Khadafi.

Ataques

Neste domingo, a França convocou o embaixador sírio em Paris para dar explicações após o ataque de grupos leais a Assad contra missões diplomáticas na Síria, incluindo a francesa, após a suspensão do país da Liga Árabe.

A Turquia, que determinou a retirada de todo o seu pessoal diplomático não essencial de Damasco, pediu à comunidade internacional que "responda com uma voz unificada diante dos sérios acontecimentos na Síria".

As embaixadas da Arábia Sadita e do Catar também foram invadidas pelos manifestantes pró-governo.

A Síria, cuja suspensão da Liga Árabe entrará em vigor somente na quarta-feira, pediu a convocação de uma cúpula árabe urgente e convidou membros da liga a visitar o país.

As autoridades sírias classificaram a decisão tomada no sábado de "ilegal".

Repressão

Fontes ligadas a grupos opositores dizem que a repressão continuou neste domingo, com quatro pessoas mortas pelas forças de segurança sírias na cidade de Hama.

Segundo a ONU, mais de 3.500 pessoas já morreram na Siria desde o início dos protestos pró-democracia, em março. As autoridades sírias responsabilizam "terroristas" pela violência.

Segundo o correspondente da BBC no Cairo, onde está a sede da Liga Árabe, o objetivo do grupo é isolar a Síria.

Dezoito membros da Liga, atualmente presidida pelo Catar, votaram a favor da suspensão da Síria, com a própria Síria, o Líbano e o Iêmen (que também enfrenta protestos pró-democracia) votando contra e a abstenção do Iraque.

A votação ocorreu após a Síria aparentemente ignorar um plano da Liga, o qual havia aceitado inicialmente, que envolvia a libertação de prisioneiros, a retirada de forças de segurança das ruas e a abertura de um diálogo com a oposição.

O governo sírio vem restringindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, tornando difícil a verificação e a confirmação dos acontecimentos no local.

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