Ex-chanceler israelense Tzipi Livni renuncia ao Parlamento

A ex-ministra das Relações Exteriores e líder da oposição israelense Tzipi Livni anunciou que está deixando a instituição e a carreira política.

Em um breve comunicado divulgado nesta terça-feira, Livni afirmou que nunca pensou na política como um fim em si mesma e disse que a vida política de Israel se tornou cínica.

Livni participou da criação do partido de centro Kadima, que é atualmente o maior partido do Parlamento israelense, o Knesset. Sua decisão acontece pouco mais de um mês depois de perder a liderança do partido.

Em seu comunicado, Livni afirmou que não se arrepende das decisões que a podem ter levado a perder a liderança, dizendo que não se desculpará "por não ceder a chantagens políticas - mesmo quando o preço disso foi o governo - e por não estar disposta a vender o país para os ultra-ortodoxos".

"E eu definitivamente não me arrependo do maior assunto que promovi. Mesmo que o conflito palestino-israelense não esteja na moda agora, há uma necessidade urgente de chegar a um acordo permanente com os palestinos e com o mundo árabe", afirmou.

A ex-ministra de Relações Exteriores também alertou que a existência de Israel está sob ameaça por causa de sua atual liderança.

"Israel vive na boca de um vulcão, o tempo está se esgotando para a comunidade internacional e a existência de um Estado judeu democrático está ameaçada."

No entanto, ela afirmou que não deixará a vida pública e continuará sendo membro do partido.

O correspondente da BBC em Jerusalém, Wyre Davies, diz que o futuro imediato do partido ainda não está claro.

Alguns prevêem que o Kadima, que agora é liderado por Shaul Mofaz, não terá bons resultados nas próximas eleições, que devem acontecer no fim de 2012.

Fora de Israel, Tzipi Livni era uma das políticas mais conhecidas e respeitadas do país, entre outros motivos, por não ter buscado uma coalizão com partidos ultra-religiosos para se eleger como primeira-ministra.