Países precisam 'nacionalizar e recuperar seus recursos naturais', diz Morales na Rio+20

Em seu discurso à plenária da Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que os "países precisam nacionalizar e recuperar seus próprios recursos" como parte da luta para preservar as riquezas naturais e o meio ambiente.

Tecendo duras críticas às potências Ocidentais, Morales usou o termo "ambientalismo" como sinônimo de uma lógica capitalista que "precifica e mercantiliza" os bens naturais.

"O ambientalismo é um sistema imperialista que quantifica cada gota d’água, cada árvore, como lucro. E o faz com uma visão de curto prazo. O ambientalismo está colonizando a natureza, tornando a natureza um ativo privado para o benefício de poucos", disse.

O líder disse que há "uma diferença entre o Ocidente e os países do Sul, principalmente as civilizações que sempre viveram am harmonia com a Terra", como os indígenas bolivianos.

Morales destacou que a maior empresa boliviana, responsável pela extração e refino de petróleo, gerava US$ 300 milhões (R$ 608 milhões) aos cofres públicos. Após a nacionalização, as operações da companhia passaram a render mais de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 6,09 bilhões).

"Os serviços básicos e que lidam com recursos como água e combustíveis não podem ser um negócio internacional, nas mãos de multinacionais. Recuperar nossos recursos nos ajudou a resolver muitos problemas sociais na Bolívia", avaliou o presidente.