Na Rio+20, presidente do Equador diz que uso de bens naturais 'precisa ter um preço'

Ao falar aos chefes de Estado e governo que participam da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse que é preciso que os países comecem a "pagar pelo uso de bens naturais", assim como "pagam por mercadorias".

"Temos que mudar a lógica comercial do mundo. Se eu quero comprar um trator fabricado em outro país, preciso pagar por isso. Se um país utiliza recursos como a água, por exemplo, terá que compensar o fornecedor por isso", disse.

Logo no início de sua fala o líder equatoriano mostrou um gráfico dizendo que os países que compõem o grupo dos 20% mais ricos do planeta emitem 83 toneladas de gás carbônico anualmente, o que totaliza 60% das emissões mundiais.

Em comparação, os 20% mais pobres emitem apenas 1 tonelada por ano, o que representa menos de 1% das emissões no planeta, disse Correa.

"Fica muito claro assim quem tem a maior responsabilidade. Trata-se de uma corresponsabilidade internacional, não de caridade. É um reconhecimento de que há uma responsabilidade comum porém diferenciada", indicou.

Correa foi aplaudido ao criticar a "supremacia dos mercados" na lógica financeira internacional atual.

"O problema não é técnico, é político. A raiz da crise na Europa e nos Estados Unidos são os mercados governando as sociedades. Os seres humanos e a natureza devem ter soberania sobre os mercados. Precisamos da sociedade governando os mercados e não o contrário", disse.