Índios anunciam reunião para discutir ocupação em hotel na Bahia

Após ocuparem parte de um hotel de luxo próximo a Ilhéus, no sul da Bahia, caciques tupinambás devem se reunir nesta quarta-feira para discutir o caso.

Os índios alegam que ocuparam parte do Hotel Fazenda da Lagoa no domingo por acreditarem que a área é parte de uma reserva indígena e para cobrar mais rapidez na demarcação dos cerca de 47 mil hectares reivindicadas pelo povo tupinambá.

De acordo com Haroldo Heleno, representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), os caciques da região pretendem se reunir em Olivença, distrito a 15 quilômetros de Ilhéus, nesta quarta-feira pela manhã.

Eles também pretendem enviar uma delegação a Brasília para participar de uma audiência pública sobre a demarcação de terras indígenas - entre elas a tupinambá - no dia 19 de abril.

Embargo

O hotel Fazenda da Lagoa, que tem diárias a partir de R$1.000, estava vazio há três meses por conta de um embargo parcial do Ibama, por conta de desmatamentos.

Entre os proprietários do hotel está o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Um comunicado do cacique Valdenilson Tupinambá divulgado nessa terça-feira diz que os indígenas querem "o que é nosso por direito e a Justiça tem o dever de devolver o que é nosso".

Na segunda-feira, agentes da polícia federal estiveram no hotel juntamente com o representante local da Funai para investigar denúncias de cárcere privado e depredação do patrimônio do hotel, que foram negadas pelos índios.

De acordo com o CIMI, que mantém contato com os índios no hotel, as denúncias não foram confirmadas pelos policiais.

No momento, não é possível manter contato por telefone com o local, nem com a central de reservas do Fazenda da Lagoa, no Rio de Janeiro.

Demarcação

A Funai ainda não confirmou se a parte do hotel ocupada pelos tupinambás é de fato parte do território reivindicado pelos índios.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o cacique Valdenilson Tupinambá disse que a ação dos índios pretende "barrar a destruição que eles vêm fazendo dentro do nosso território, matando o nosso manguezal".

O Ibama confirma que o empreendimento recebeu duas multas e teve o uso de 2 hectares embargado até que a vegetação arrancada para dar espaço a bangalôs seja recuperada.

A área é alvo de disputas entre indígenas e donos de hoteis e resorts há mais de sete anos. De acordo com o CIMI, estudos que comprovariam a legitimidade da reivindicação tupinambá ao território já foram concluídos.

"O estudo foi publicado em abril de 2010 e já passou pela etapa das contestações. A empresa que criou o hotel inclusive entrou com uma representação. Mas todas as contestações foram derrubadas pela Funai."

A Funai confirma que aguarda a portaria declaratória do Ministério da Justiça, que decidirá sobre a demarcação dos territórios.