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Ana, 15 anos

Ana, 15 anos, diz que a mãe saiu de Santos quando ela tinha seis anos, para fugir do padrasto violento com ela e os três irmãos. "Fui logo viver na rua porque não me dava bem com ela. No Vale do Anhangabaú não apanhava, tinha liberdade", diz.

Direito de imagem BBC World Service

Ela diz que, ao contrário da mãe, não fuma crack – "fumei por uma semana, quando tinha uns dez anos, mas não gostei", mas é dependente da cocaína.

Frequentemente ela diz passar dias e noites inteiras cheirando a droga. "Depois de uns três dias eu arrumo um lugar tranquilo para dormir, na rua mesmo. Depois faço tudo de novo".

"A vida na rua pode ser boa para quem sabe viver nela", afirma, explicando que tem-se que saber evitar "estupradores, traficantes e a polícia". Desta ela diz ter apanhado várias vezes. "Uma vez estava dormindo e eles (os policiais) me acordaram com um tapa na cara. Depois me espancaram e fiquei toda roxa. Tinha uns 11 anos."

Como malefício perceptível do uso da cocaína, ela aponta, além de ocasionais overdoses, apenas "perda de memória de vez em quando".

"Uma vez parei de usar e engordei uns 30 quilos", diz. "Estou bem com minha droguinha."