Fotógrafo retrata remoções em favelas do RJ por Copa e Olimpíada

Radicado em Nova York, o alemão Marc Ohrem-Leclef percorreu 13 comunidades da cidade para revelar o impacto humano das desocupações.

Radicado em Nova York, o alemão Marc Ohrem-Leclef percorreu 12 comunidades da cidade para revelar o impacto humano das desocupações.
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Cerca de 1,4 milhão de pessoas vivem atualmente nas favelas do Rio de Janeiro. Em muitas dessas comunidades, moradores vêm sendo forçados a deixar suas casas por causa das obras da Copa do Mundo e da Olimpíada. Na foto acima, Roseli e seu irmão Levy (que segura um sinalizador) posam no Morro da Babilônia. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Entre o final de 2012 e o início de 2013, o fotógrafo alemão radicado em Nova York Marc Ohrem-Leclef decidiu lançar-se em uma jornada ao interior de favelas da cidade para 'personificar' as remoções. Acima, Douglas em frente a uma moradia do programa do governo federal 'Minha Casa Minha Vida' em Realengo, na Zona Oeste do Rio. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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"Tentei capturar o impacto humano em meio às políticas de remoção e dar voz ao pleito das pessoas atingidas por essa iniciativa", diz Leclef. Na foto acima, vista da Vila Laboriaux, sub-bairro da Rocinha. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Diz Leclef: "Tive conversas longas com as pessoas que queria fotografar, para dissipar a insegurança e as dúvidas delas sobre as minhas intenções. E, apesar das dificuldades que todos enfrentam, quando comecei a fotografá-los, todos revelaram um forte senso de otimismo que faz parte do lado humano que capturei". Acima, vista da Rocinha da Vila Laboriaux, sub-bairro da favela. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Durante sua jornada, o fotógrafo retratou moradores de 13 favelas direta e indiretamente afetados pelas desocupações forçadas, além de líderes comunitários que, junto a seus vizinhos, tentavam se organizar para impedir a ação da Prefeitura. Na foto acima, José Martins segura um sinalizador. Ele foi um dos primeiros moradores da Vila Laboriaux, depois que a pequena comunidade foi "legalizada" após a construção de uma rua até o topo da Rocinha. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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A primeira série de imagens consiste em retratos de moradores de favelas em frente a suas casas, que foram designadas para a remoção pela Secretaria Municipal de Habitação (SMH) com números pintados nos muros. Na foto acima, Jacqueline e seu filho Jackson no Morro da Providência. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Acima, Jacqueline posa no Morro da Providência, no centro do Rio. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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O segundo grupo reúne retratos dos moradores segurando sinalizadores de emergência acesos. Na foto, Fabiana, moradora do Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Segundo Leclef, o uso do sinalizador sugere múltiplas referências, incluindo o quadro "A Liberdade Guiando o Povo", de Eugène DeLacroix (1798-1863), e a Estátua da Liberdade, em Nova York, passando pela Primavera Árabe (a onda de protestos que varreu o Oriente Médio em 2011) e, claro, a tocha olímpica, o símbolo máximo da competição que será sediada pelo Rio de Janeiro em 2016. Acima, Vovó Zezé em sua casa. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Na foto, Vovó Zezé segura um sinalizador. Leclef conta que, depois de anos trabalhando como costureira do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a idosa vive hoje em uma casa espaçosa em Colônia, na Taquara, Zona Oeste da cidade. "No entanto, a linda casa e o jardim que Vovó Zezé passou anos construindo estão exatamente no caminho da TransOlímpica, a mais importante via expressa do pacote de obras da Olimpíada. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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"Essas imagens justapõem a dinâmica da celebração e da união com aquelas envolvendo a luta baseada na desigualdade socioeconômica que os mega-eventos estão trazendo para o Rio de Janeiro e para os seus cidadãos", diz Leclef. Acima, Ricardo posa em frente à sua casa, na Vila Laboriaux, sub-bairro da Rocinha. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Leclef conta que, segundo Ricardo (foto acima), "o governo está pagando famílias para que elas deixem as suas casas com magníficas vistas para a Lagoa Rodrigo de Freitas e para as praias da cidade". (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Leclef nasceu em Dusseldorf, na Alemanha, em 1971. Ele vem se dedicando a retratar comunidades e já expôs em sua terra natal e nos Estados Unidos, onde mora atualmente. Acima, Miguel, morador do Morro da Providência, considerada a primeira favela do Rio de Janeiro. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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Os primeiros registros sobre o Morro da Providência, no centro da cidade, datam do início de 1800. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)

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As duas séries fotográficas de Leclef vão dar origem ao livro Olympic Favela (Favela Olímpica), a ser publicado pela editora americana Damiani em junho deste ano. Na foto acima, Seu Barrão posa com seu filho Tiago em cima de seu barco na Lagoa de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Segundo Leclef, ele teme perder seu sustento caso seja removido da favela Vila Autódromo, onde mora. (Crédito: Marc Ohrem-Leclef)