Retratos captam nova identidade de latinos nos EUA

Exposição na capital, Washington, explora a forma como imigrantes latino-americanos constroem sua identidade em um 'novo lar'.

Artistas latino-americanos tentam captar a identidade latina com retratos de imigrantes
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Seis artistas latino-americanos nos EUA receberam a tarefa de definir a identidade de imigrantes da região por meio de uma série de retratos. O resultado foram 59 obras – entre fotografias, pinturas e obras com técnicas mistas – reunidas pela National Portrait Gallery, em Washington, em uma mostra que ficará aberta até abril de 2015. A pintura acima é de Michael Vásquez, filho de um porto-riquenho, que mora em Miami.

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Os seis artistas mostram a criação da identidade como um processo que está em evolução e que às vezes é ambíguo, disse à BBC a curadora principal da exposição, a porto-riquenha Taína Caragol. "Uma coisa que os artistas têm em comum é que fazem autorretratos ou retratam pessoas próximas a eles", acrescenta.

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Caragol viajou a diferentes lugares dos Estados Unidos com alta presença latina – como Flórida, Nova York e Los Angeles – para encontrar os artistas que agora têm suas obras expostas em Washington. Este trabalho, intitulado "Duplicidade como Identidade: 50%", é de María Martínez Cañas, uma artista de origem cubana.

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A curadora explica que alguns artistas exploram costumes transmitidos de geração a geração. Karmen Miranda Rivadeneira, de origem equatoriana, recorreu a uma série de fotografias para "dramatizar momentos da sua vida que ela identifica como chave para definir sua identidade e sua relação com o mundo". Esta obra se chama "Mamãe me curando do medo das iguanas levando-me ao parque para alimentá-las todos os finais de semana".

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Na série, nem todos os artistas fazem uma referência direta à sua identidade cultural. Alguns se referem às suas famílias ou a questões mais pessoais. "É interessante para nós que as pessoas tenham uma nova percepção do retrato como um gênero vivo e que pode ser interpretado de muitas maneiras", disse Caragol. Essa obra, chamada "Bear Hair Study", é de Carlee Fernandéz, uma artista de origem mexicana que mora em Los Angeles.

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Rachelle Mozman, criada em Nova York de mãe panamenha, apresenta "um cruzamento de performance, fotografia documental e fotonovela", disse Caragol. "Ela constrói uma narrativa que retrata sua mãe no papel de três personagens: duas gêmeas, uma com a pele mais escura que a da outra, e a empregada delas. Explora as relações raciais de hierarquia que são muito predominantes na América Central." Esta obra se chama "O menino".

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"Geralmente, o retrato é concebido como um gênero clássico da arte, que tem como missão moldar a identidade de uma pessoa", disse Caragol. "Mas esse processo de moldar a identidade é bastante complicado, influenciado pela maneira como o sujeito retratado se projeta, a maneira como o artista percebe esse sujeito e como o público lê esse retrato a partir do seu contexto cultural." Esta obra de 2006 é também de Carlee Fernandéz, que tem origem mexicana.

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Os retratos do artista David Antonio Cruz são quase montagens: à pintura, agregam-se objetos como a louça de sua mãe e retalhos de tecido. A exposição em Washington é parte de uma série intitulada "Portraiture Now" (ou "O Retrato Agora", na tradução para o português).