Médicos em guerras ganham rosto em série de fotógrafo brasileiro

Mostra em Brasília reúne imagens premiadas de André Liohn, veterano em conflitos como Líbia e Somália.

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Uma exposição em Brasília reúne 70 imagens do fotógrafo André Liohn sobre a difícil missão de dar assistência médica em territórios de conflito, como os da Líbia e da Somália. Aqui, médicos observam uma clínica destruída em Ajdabiya, na Líbia, em abril de 2011.

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A mostra do Comitê Internacional da Cruz Vermelha busca destacar a importância do direito à assistência médica, algo ignorado em períodos de guerra. Na foto, um combatente ferido pede socorro em Misrata, no noroeste da Líbia, em abril de 2011.

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Liohn, que cobre conflitos como esses há dez anos, disse à BBC que os médicos locais em uma guerra normalmente representam "uma mensagem muito forte contra o conflito". Aqui, um espera os feridos em Misrata, na Líbia, em abril de 2011.

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"A ideia é mostrar o início (Líbia) e o potencial fim (Somália) de um conflito onde profissionais de saúde não são respeitados porque a sociedade entra em colapso", explicou Liohn. Na foto, um garoto desnutrido e desidratado no Hospital Benadir de Mogadiscio, na Somália.

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Para documentar os crimes de guerra e conhecer as armas que o regime de Muamar Khadafi usava contra civis, Liohn trabalhou junto com ambulâncias que iam resgatar feridos. Este homem de marrom em Misrata é um motorista voluntário que foi ferido gravemente por um morteiro.

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"O problema hoje é que estamos lidando com grupos que desconhecem qualquer regra de guerra", opinou Liohn. Na foto, o chefe de cirurgias e administrador do hospital Medina, na Somália, aparece com escolta armada por ser alvo de ataques (novembro de 2010).

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Parentes e amigos de uma vítima da guerra na Líbia choram em um hospital de Misrata em abril de 2011. Por suas fotos na Líbia, Liohn ganhou o prêmio Robert Capa Gold Medal em 2012, uma das premiações mais importantes da fotografia.

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Uma cena do caos violento que a Líbia viveu: um integrante da oposição armada chega a um hospital em Misrata em março de 2011 depois de ter sido ferido pelos mesmos opositores ao regime. Ele estava usando um uniforme das forças do governo.

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Uma ambulância leva um combatente morto no norte da Líbia, em março de 2011. "Nossa profissão tem duas funções muito básicas: informar e mobilizar as pessoas por meio dessa informação, especialmente aqueles que tomam as decisões", disse Liohn.

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Jovem ferida por uma bala no hospital Medina, na Somália, em novembro de 2010. O conflito no país já dura mais de 20 anos. Os combates entre as forças do governo apoiadas pela União Africana e militantes islâmicos continuam. A ONU denuncia o recrutamento de crianças de ambos os lados.

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Ao saber da morte de quatro companheiros de trabalho - um médico, duas enfermeiras e um motorista de ambulância - um membro da equipe de pronto-socorro chora em Ajdabiya, leste da Líbia, em abril de 2011. A exposição é gratuita e continuará no Museu Nacional de Brasília até 12 de outubro.