Empresa que administra PIB igual ao da Rússia enerva mercados

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Image caption Uma vez chamado 'Reis dos Títulos', Gross perdeu a majestade no Pimco

Administradora de recursos equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) de países com o Rússia e Itália, a Pimco surpreendeu o mercado financeiro ao anunciar a saída de seu co-fundador, que vem sendo apontada como uma das razões para o nervosismo nos mercados financeiros internacionais.

Pudera, a Pimco administra mais de US$ 2 trilhões em títulos, uma posição que conquistou nas últimas décadas sob o comando de Bill Gross, que abriu a empresa com dois outros sócios em 1971, com ativos à época de US$ 12 milhões.

A empresa cresceu sem parar a reboque do Pimco's Total Return Bond Fund, o maior fundo mútuo do mundo, criado e pessoalmente administrado por Gross.

Esse fundo obteve ganhos médios de 7,9% por ano desde então. De acordo com o Wall Street Journal, o mercado global de títulos avançou 6,8% anuais no mesmo período, segundo o Barclays US Aggregate Bond Index.

Durante a crise financeira, o fundo se saiu extraordinariamente bem - ganhando 7,9 pontos percentuais a mais do que o mercado global de títulos.

Isso convenceu muitos investidores a despejar grandes fortunas no Pimco's Total Return Bond Fund, visto como um dos portos mais seguros nos agitados mares do mercado financeiro global.

'Rei dos Títulos'

Mas alguns eventos mudaram este panorama, em que o executivo era visto pela maior parte dos analistas de mercado como um gênio, ou o "Rei dos Títulos".

Ele mesmo já havia admitido a fragilidade de sua posição, em uma carta a investidores em abril de 2013. "Quanto mais tempo você fica nesse negócio, mais e mais você fica exposto ao calcanhar de Aquiles", disse.

O calcanhar de Aquiles de Boll Gross começara a doer dois anos antes, quando ele decidiu pelo forte posicionamento de recursos em títulos do governo americano.

O valorizado Pimco's Total Return Bond Fund teve perdas bilionárias - alguns estimam cerca de US$ 100 bilhões - quando os papéis do governo não subiram como esperado.

Para piorar, em setembro de 2014, a gestão de Gross passou a ser investigada pela própria Pimco e, em seguida, por autoridades americanas, sob a alegação de que títulos foram negociados a preços inflados.

Em seguida, questões de ordem pessoal teriam azedado de vez as relações entre Gross e os controladores do Pimco - a corporação alemã Allianz, que comprou o grupo em 2000, embora tenha mantido a autonomia dos gestores do fundo de investimentos.

Muitos relatórios anônimos, publicados pela agência Bloomberg e por outros influentes agentes de mercado, indicaram que o estilo agressivo da gestão de Gross desagradava os chefões da Allianz.

'Diferenças fundamentais'

Os desentendimentos culminaram na saída de Gross, por "diferenças fundamentais", segundo declarou Douglas Hodge, recém-nomeado para a direção geral do Pimco.

O fundo, porém, não está a perigo. Perdas de US$ 100 bilhões são proporcionalmente pequenas para ativos de US$ 2 trilhões, dizem analistas.

"As perdas (do Pimco) afetam certas classes de títulos, embora o impacto seja razoavelmente limitado", disse o diretor de renda fixa do Credit Agricole, David Keeble.

Mas a saída de Gross poderia aumentar a volatilidade, com investidores vendendo títulos que estariam sob a administração de Gross na Pimco para recomprá-los mais barato no futuro.

"A resposta do mercado à abrupta notícia (demissão de Gross) foi percebida como um reflexo da importância que ele tinha: comerciantes de dinheiro rápido, um grupo que inclui os fundos de hedge (proteção) e participantes de mercados semelhantes, começaram a vender o que eles acreditam ser o portifólio de Bill Gross na Pimco", disse o estrategista-chefe de renda fixa da administradora de recursos Janney Montgomery Scott, Guy LeBas.

Agora, boa parte do mercado espera pelos movimentos de Gross no Janus Capital Group, onde ele está agora. Dependendo de quanto ele conseguir trazer de seus antigos clientes para sua gestão, analistas esperam aumento na volatilidade envolvendo títulos.