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A bordo do navio de onde partem os ataques aéreos ao 'Estado Islâmico'

O USS Carl Vinson, que navega nas águas do golfo Pérsico, é responsável por parte considerável dos esforços para controlar o grupo autodenominado "Estado Islâmico" no Iraque e na Síria, em curso há cinco meses.

O navio é quase uma cidade flutuante, com mais de 5 mil pessoas e 60 caças.

A decolagem de cada uma das aeronaves é um evento tão marcante, caro e perigoso que a pergunta é inevitável: a ofensiva aérea está dando resultados?

É muito difícil para repórteres ocidentais buscarem respostas as estas pergunta em terras iraquianas. Mas é possível obter algumas pistas a bordo do cargueiro, onde a BBC passou quatro dias.

"O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu às suas tropas a missão de destruir o "EI", e "estamos fazendo isso (matando) alguns corpos por vez", diz o capitão Karl Thomas, comandante do navio.

Mil missões

Em quase três meses, saíram de lá mais de mil missões aéreas, a maioria rumo ao Iraque.

Mas muitas vezes os pilotos não disparam seus mísseis, diante da dificuldade em identificar um alvo corretamente.

Há estimativas de que apenas 10% das missões resultariam em disparos.

A tenente Sarah (nome fictício), de 29 anos, diz que disparou em "cerca de 40%" de suas missões.

Ela conversou com a BBC pouco depois de ter retornado do espaço aéreo iraquiano, onde lançou duas bombas guiadas a laser.

"Quando conseguimos agir, é muito empolgante", diz ela, ainda que a maioria da equipe pareça (pelo menos diante da reportagem) contida em comemorar as perdas de vidas decorrentes dos ataques.

Um dos capitães lembra também que, ante as terríveis consequências que um bombardeio errado pode ter, "às vezes o míssil que você traz de volta é o mais importante".

Catapultas

Independentemente dos disparos efetuados, cada decolagem traz seus riscos.

Oos caças são catapultados do navio. Muitas vezes têm de ser reabastecidos em pleno voo por outro avião, e muitos pousos são feitos no escuro, com manobras difíceis.

Durante sua jornada no golfo, o Carl Vinson perdeu dois caças, que colidiram em área próxima ao navio. Um piloto foi resgatado, mas o outro morreu no mar.

Os pilotos estão cientes do risco, mas evitam discuti-lo com a reportagem. "Não é algo em que gostemos de pensar", diz Sarah.

Os chefes das operações dizem que estão conseguindo progredir no combate.

Mudança

"Com certeza, a situação mudou desde que os bombardeios aéreos começaram", diz o comandante Mike Langbehn.

Ele afirma que os militantes estão mais cautelosos em reunir muitas de suas tropa em um único local, com medo de se tornarem um alvo fácil.

Outros comandantes afirmam que o "EI" perdeu a capacidade de fazer grandes conquistas de território.

Ainda assim, os oficiais admitem que ainda pode demorar para se chegar a uma eventual vitória definitiva.

Nesta sexta-feira, na Casa Branca, Obama afirmou que os progressos feitos contra o "EI" estão resultando na "derrubada sistemática de seus combatentes".

*Reportagem de Mark Urban, editor de assuntos diplomáticos e de defesa do programa Newsnight, da BBC