Eli Emanuele
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Basejumper revela segredo de voo por abertura de 2m em rocha

"Em todo salto, meu último pensamento antes de sair do solo é a morte. Eu tento não estragar tudo. Penso nisso em todos os saltos. Mas, quando você percebe o quão bonito é o esporte e o que ele pode te dar, consegue aceitar a morte e aceita a beleza disso."

A afirmação é do italiano Uli Emanuele, que viaja o mundo saltando de prédios e montanhas antes de aterrissar com um paraquedas. Seu último desafio de basejump impressiona: ele pulou do topo de uma montanha na Suíça e passou no ar, em alta velocidade, por uma abertura de 2,5 m na rocha.

Caso tivesse batido na pedra, Emanuele provavelmente estaria morto - ele voa a uma velocidade entre 130 km/h e 150 km/h.

Por isso, foram três anos de treino para o salto e diversas medições para passar pelo buraco.

Emanuele usou o traje que usa para quase todos os saltos. Segundo ele, a escolha da roupa é importante - para passar por dentro de montanhas e penhascos, usa roupas mais pesadas; já voar perto de árvores exige roupas mais leves.

Foram quase cinco horas de caminhada para chegar ao topo da montanha. Durante toda a preparação, ele fez 45 horas nestas caminhadas.

Emanuele tentou passar pelo buraco quatro vezes. "Tentei saídas [do topo da montanha] diferentes, porque é preciso ter um ângulo que não é fácil de atingir, então tive que pular quatro vezes por duas saídas diferentes."

Quando o salto finalmente deu certo, Emanuele não contou ao patrocinador. "Foi só para mim. Eu queria apreciar o momento."

Sentimentos

Ele diz que o salto foi especial.

"Quando estou no penhasco fico muito concentrado e não penso sobre sentimentos. Mas quando passei pelo buraco a beleza foi ver o fruto de três anos de trabalho, prática e ensaio", conta.

Os sacrifícios pelo esporte começaram ainda antes, há cinco anos, quando ele deixou um emprego bem remunerado para lavar pratos em um restaurante na Suíça. "Mas o restaurante era perto de uma montanha, então eu podia treinar e saltar todos os dias."

Emanuele começou como paraquedista aos 16 anos seguindo os passos do pai. Mas, segundo ele, o paraquedismo é muito caro, porque é preciso saltar de um avião.

Por isso, aos 21 anos, ele começou a saltar de montanhas e penhascos. Ele morava perto de montanhas e, migrando para o basejump, podia praticar mais.

Desde então, o esportista já rodou o mundo. Uma das viagens que ele destaca foi ao Irã, onde saltou de uma montanha e cruzou uma cidade "voando" sobre ela.

Depois de tantos anos, ele ainda tem medo dos saltos?

"Não fico aterrorizado, mas meu coração sempre bate muito forte, e é isso que me faz continuar."

"O esporte não é uma aposta com a morte. O esporte é sobre viver ao máximo."