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Família síria vive 6 semanas em aeroporto de Moscou

Por mais de seis semanas uma família síria viveu no aeroporto Sheremetyevo, em Moscou.

A família Ahmad - pai, mãe e quatro filhos - fugia da violência do grupo autodenominado Estado Islâmico (EI), mas teve seu pedido de asilo recusado após terem apresentado passaportes falsos.

Eles chegaram ao aeroporto no dia 10 de setembro, passaram 40 dias morando no local e agora foram enviados para um hotel.

Durante os 40 dias, eles "moraram" na antiga área para fumantes, e era comum ver a família com suas malas e um colchão inflável a área cercada por paredes de vidro.

"Isto (a permanência no aeroporto) é para uma conexão de uma hora, duas horas. Mas a nossa é de 40 dias, e o que vai acontecer (daqui para frente) nós não sabemos", disse à BBC o filho mais velho, Rinas, de 12 anos.

O pai, Hasan, contou que é músico de uma região curda da Síria e que a família vivia no norte do Iraque.

Com a chegada dos combatentes do Estado Islâmico, eles decidiram fugir para a Rússia - onde mora a irmã da mãe.

"Não esperávamos acabar morando no aeroporto, mas fomos obrigados", disse o músico.

"Não sei como as pessoas podem ser tão insensíveis. Não entendo, as pessoas estão fugindo da guerra, da violência", afirmou.

A família passou as primeiras duas semanas em um centro de detenção russo, acusados de tentar passar pela fronteira de forma ilegal, com passaportes falsos. Mas Hasan insiste que os passaportes são verdadeiros.

Há uma semana, a esposa, Gulistan, sofreu um desmaio e foi levada para o hospital.

"Me sinto mal pelos meus filhos. Eles querem saber o que fizemos de errado para passar por tudo isso", afirmou emocionada.

Agora a família tem outra preocupação: como pagar a conta do hospital onde a mãe ficou internada.

"Às vezes sentimos frio. À noite é muito frio. Aqui não é bom para nós", disse Rina, o filho mais velho.

A família recebeu doações e um pessoa que preferiu permanecer anônima pagou por algumas noites em um hotel próximo.

Mas a realidade é que o pedido de asilo da família Ahmad pode levar meses para ser resolvido.

Svetlana Gannushkina gerencia um centro de ajuda a refugiados em Moscou e explica que a Rússia costuma recusar pedidos de asilo.

Mas, segundo ela, mesmo se os passaportes da família forem falsos, a família não pode ser acusada de atravessar ilegalmente a fronteira se estiverem fugindo do perigo.

"A forma como a família foi tratada é muito estranha e desumana. É vergonhoso para nosso país, uma mancha para (a reputação da) Rússia", afirmou.