Crédito: ICMBio
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Separado de fêmeas, peixe-boi 'garanhão' ganha novo lar para curar depressão

O peixe-boi Netuno reinava sozinho no oceanário da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, mas, separado das fêmeas, perdeu peso e entrou em depressão.

Para curá-la, o Centro de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), decidiu levar o peixe-boi, que tem 25 anos e pesa 420 quilos, para uma espécie de retiro em um recinto de adaptação no leito do Rio Tatuamunha, em Porto das Pedras, no litoral norte de Alagoas.

Ali Netuno deve permanecer pelo resto da vida. Como não tem capacidade de voltar à natureza, pela grande afinidade com pessoas, o peixe-boi será usado para trabalhos de educação ambiental. Ele também ficará isolado porque indivíduos soltos no litoral alagoano são alguns dos seus 15 filhotes.

A decisão foi tomada pensando na conservação da espécie, explica à BBC Brasil Fabia Luna, chefe da CMA.

"Não podíamos deixar Netuno junto com as fêmeas pois isso poderia gerar filhotes com problemas devido ao alto grau de consaguinidade. Ele, inclusive, já reproduziu com uma das filhas dele", assinala Fabia.

"Se não tomássemos essa medida, com o passar do tempo, a população de peixes-boi poderia se extinguir por si só por defeitos genéticos. Exemplos disso são machos sem qualidade de esperma ou fêmeas que não conseguem cuidar dos filhotes", acrescenta a especialista.

Fabia diz acreditar que Netuno poderá curar a depressão no novo lar.

"Em Itamaracá, ele vivia em uma espécie de piscina. Agora, em Alagoas, ele passa a viver uma área cercada, mas com características semelhantes a um mangue, com água natural", explica.

Netuno foi levado para o novo lar na semana passada. A operação de translocação (transporte), realizada em sua maior parte durante a madrugada, durou 12 horas e mobilizou 40 técnicos. Outro peixe-boi-marinho, Zoé, também foi transferido para Alagoas. Os animais foram transportados em dois caminhões do tipo Munk (providos de guindastes).

Atualmente, o peixe-boi-marinho corre risco de extinção. Estima-se que no Brasil só haja entre 500 a 1 mil exemplares da espécie, do Amapá a Alagoas.